Evento na Amrigs destaca tratamento e rede de apoio para pessoas com Parkinson

Por Jonathan da Silva

A Doença de Parkinson foi tema de um encontro realizado durante a programação da Brain Week 2026 no Teatro Amrigs, em Porto Alegre. A atividade reuniu especialistas, profissionais da saúde, familiares, cuidadores e pessoas interessadas em ampliar o conhecimento sobre a condição, abordando diagnóstico, tratamentos, qualidade de vida, estilo de vida e a importância da rede de apoio para quem convive com a doença.

O evento teve como objetivo promover o acesso à informação e discutir estratégias de cuidado integral, destacando o papel da assistência multidisciplinar no acompanhamento de pacientes com Parkinson.

Importância da informação e do cuidado integrado

Na abertura do encontro, o presidente da Associação Médica do Rio Grande do Sul (Amrigs), médico Gerson Junqueira Jr., ressaltou a relevância de iniciativas voltadas à aproximação entre conhecimento científico, profissionais da saúde e comunidade. “O Brain Week cumpre um papel fundamental na discussão ampla sobre o cérebro, integrando temas ligados à saúde mental, às doenças neurológicas e aos diferentes impactos dessas condições na vida das pessoas”, salienta Junqueira.

A primeira palestra da programação, intitulada “O que é a Doença de Parkinson?”, foi ministrada pelo neurologista Carlos Rieder. Durante sua apresentação, ele chamou atenção para o aumento da incidência da doença e para os desafios que esse cenário impõe à saúde pública.

Segundo o especialista, embora a Doença de Parkinson seja diferente da Doença de Alzheimer, mais relacionada ao comprometimento progressivo da memória, ela afeta significativamente a autonomia, a mobilidade e o bem-estar, especialmente entre pessoas com mais de 60 anos. “A Doença de Parkinson é diferente do Alzheimer, mas tem uma taxa de crescimento muito importante. No Brasil, ainda temos poucos estudos epidemiológicos, mas levantamentos populacionais já mostram prevalência em torno de 2% a 3% na população acima dos 60 anos. Isso significa que, em um grupo de 100 pessoas nessa faixa etária, duas ou três podem ter a doença. É um dado relevante e que precisa ser considerado nas políticas públicas de saúde”, explicou o médico.

Papel da atividade física no tratamento

Na sequência, a neurologista Sheila Trentin abordou os tratamentos disponíveis para a Doença de Parkinson e destacou a importância da prática regular de exercícios físicos como parte do acompanhamento terapêutico. “A prática regular de exercício físico ocupa papel central, pois contribui para a mobilidade, o equilíbrio, a força muscular, a autonomia e a qualidade de vida dos pacientes. Embora os medicamentos sejam fundamentais para o controle dos sintomas, eles ainda não curam a doença nem impedem sua progressão. Os medicamentos tratam os sintomas, mas o exercício físico tem um papel essencial para preservar funcionalidade, autonomia e qualidade de vida”, pontuou Sheila.

A programação também incluiu discussões sobre hábitos saudáveis e rotina ativa, conduzidas pelas palestrantes Júlia Hoffmann, Josieli Fraga e Eduarda Sorgato.

Entre as estratégias apresentadas durante o encontro, a caminhada nórdica foi destacada como uma alternativa para auxiliar pessoas com Parkinson a desenvolver equilíbrio, coordenação motora e maior segurança nos movimentos.

A prática utiliza bastões que ampliam os pontos de apoio do corpo e favorecem uma marcha mais estável. De acordo com Josieli Fraga, o próprio processo de aprendizagem da técnica também contribui para estimular novas conexões cerebrais. “A caminhada nórdica ensina o paciente a andar com quatro pés. Nós caminhamos com dois, mas, na Doença de Parkinson, o equilíbrio pode ser bastante afetado, e essa prática ajuda a devolver segurança ao movimento. Além disso, o aprendizado é muito importante, porque ativa novos neurônios e estimula a neuroplasticidade. Nos exercícios realizados na Amrigs, trabalhamos coordenação motora, equilíbrio e movimentos amplos, que são fundamentais diante das oscilações motoras causadas pela doença”, destacou Josieli.

Após a apresentação, Eduarda Sorgato conduziu uma atividade interativa com música e movimentos, envolvendo os participantes em uma experiência prática.

Atenção ao presente

A psicóloga Júlia Hoffmann abordou o mindfulness como ferramenta para ampliar a atenção ao momento presente, especialmente em contextos marcados por preocupações e ansiedade.

Durante sua participação, ela convidou os presentes a refletirem sobre a frequência com que experiências cotidianas passam despercebidas em razão da preocupação com acontecimentos passados ou futuros. “Quantas vezes vocês já se perderam nos pensamentos, nas preocupações com o futuro ou em situações do passado, e o momento presente simplesmente passou? É justamente nesse ponto que o mindfulness pode nos ajudar, porque ele nos convida a estar mais atentos ao agora, com mais presença e consciência sobre aquilo que estamos vivendo”, afirmou Júlia.

Rede de apoio

O encerramento da programação ocorreu com o painel “Viver com Parkinson: histórias e rede de apoio”, conduzido por Luiz Carlos Leal. O espaço foi dedicado ao compartilhamento de experiências relacionadas à convivência com a doença e à importância dos vínculos de apoio. “Não passei pelo choque que as pessoas enfrentam. Fui direto buscar uma solução”, contou Luiz Carlos Leal, ao relatar sua experiência.

A programação também abordou o papel da família e dos cuidadores no cotidiano das pessoas com Parkinson. O tema foi apresentado pela presidente da Associação de Parkinson do Rio Grande do Sul, Neusa Chardosim, que destacou a importância do suporte emocional, da organização da rotina e da construção de um ambiente seguro e acolhedor para os pacientes.

Ao longo do encontro, especialistas e participantes ressaltaram a relevância da informação, do acompanhamento multidisciplinar e da rede de apoio como elementos presentes no cuidado de pessoas que convivem com a Doença de Parkinson.

Foto: Marcelo Matusiak/Divulgação | Fonte: Assessoria
Publicidade

Você também pode gostar

Deixe um comentário

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.