Safra de arroz no RS enfrenta pressão por crédito e custos

Por Jonathan da Silva

A próxima safra de arroz no Rio Grande do Sul é projetada sob um cenário visto pelo setor como de incertezas, com impacto de crédito restrito, custos elevados e queda do dólar, segundo avaliação da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz). A projeção foi apresentada pelo presidente da entidade, Denis Dias Nunes, ao analisar as condições que antecedem o plantio, indicando possível redução da área cultivada e efeitos sobre a oferta e o mercado na próxima temporada.

De acordo com o presidente da entidade, os produtores enfrentam dificuldades relacionadas ao acesso ao crédito e às taxas de juros elevadas, além de um cenário cambial desfavorável. A combinação desses fatores contribui para a compressão da rentabilidade antes mesmo do início do plantio.

O dirigente afirma que a tendência é de manutenção ou redução da área plantada, considerando também o aumento do endividamento dos agricultores. “Apesar de uma recente recuperação nos valores, muitos agricultores têm optado por reter a produção à espera de melhores cotações”, observa Dias Nunes.

Dinâmica de mercado

Outro elemento apontado é o ritmo lento da colheita atual, que influencia a estratégia de comercialização. Segundo Denis Dias Nunes, no início da safra houve volume significativo de exportações, o que permitiu a entrada de recursos sem a necessidade de venda imediata do arroz colhido.

O dirigente também destaca a relação com a produção de soja. “Além disso, com a proximidade da colheita da soja, a tendência é que produtores utilizem essa soja para gerar caixa, postergando a venda do arroz na expectativa de preços mais favoráveis”, projeta Dias Nunes.

Políticas de apoio

A Federarroz aponta as exportações como um mecanismo para reduzir estoques internos e sustentar preços. Nesse contexto, Denis Dias Nunes menciona a liberação de recursos federais para apoio à comercialização. O Ministério da Agricultura destinou R$ 56 milhões à Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que deverá operacionalizar medidas como o Prêmio para Escoamento de Produto (PEP) e o Prêmio Equalizador Pago ao Produtor (Pepro).

Custos de produção seguem como incerteza

Os custos de produção permanecem como um dos principais pontos de atenção para o setor. Segundo Denis Dias Nunes, os preços dos fertilizantes seguem elevados, influenciados por fatores externos, como a guerra entre Estados Unidos e Irã e a valorização de insumos como petróleo e combustíveis.

Para o dirigente, esse conjunto de fatores deve impactar tanto a área plantada quanto o nível de tecnologia utilizado nas lavouras. “A queda do dólar, embora possa aliviar parcialmente os custos de importação de insumos, também tende a reduzir a competitividade das exportações de arroz e soja, pressionando a rentabilidade do produtor. Diante de tudo isso, a próxima safra é ainda uma incógnita, o que exige cautela e acompanhamento atento do mercado ao longo dos próximos meses”, orienta Dias Nunes.

Foto: Paulo Rossi/Divulgação | Fonte: Assessoria
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