Unhas fracas podem indicar deficiências nutricionais e doenças, alerta SBD-RS

Por Jonathan da Silva

Unhas fracas, quebradiças, descamativas ou com alterações na superfície podem estar relacionadas a deficiências nutricionais, hábitos inadequados, exposição frequente a produtos químicos ou até mesmo a doenças sistêmicas. O alerta é da Sociedade Brasileira de Dermatologia – Secção do Rio Grande do Sul (SBD-RS), que orienta a população a procurar avaliação médica quando as mudanças persistem ou são acompanhadas de dor, inflamação, deformidades ou piora progressiva. Segundo a entidade, a investigação especializada é importante para identificar a causa e definir o tratamento adequado.

De acordo com a delegada da SBD-RS e dermatologista Vanessa Santos Cunha, nem toda fragilidade nas unhas está relacionada à falta de vitaminas, embora essa hipótese possa fazer parte da avaliação clínica. “Unhas fracas podem ter relação com a dieta e com algumas deficiências nutricionais, mas também podem ocorrer por fatores genéticos, doenças sistêmicas ou agressões externas. Por isso, não é indicado iniciar suplementação por conta própria. O ideal é investigar a causa para que a orientação seja adequada a cada pessoa”, explica Vanessa.

Possíveis causas

Segundo a especialista, algumas pessoas apresentam unhas naturalmente mais finas e frágeis devido à predisposição genética. Em outros casos, a condição pode estar associada à baixa ingestão de proteínas, restrições alimentares ou deficiências de nutrientes como ferro, vitamina B12, vitamina D, zinco e silício.

Entre as alterações mais comuns estão a onicosquizia, caracterizada pela descamação da unha em camadas, e a onicorrexe, marcada pelo surgimento de fissuras ou estrias longitudinais. Essas alterações podem estar relacionadas ao envelhecimento, à exposição frequente à água, ao uso contínuo de detergentes e produtos de limpeza, à retirada excessiva de cutículas e à utilização constante de esmaltes, removedores ou procedimentos estéticos que enfraquecem a lâmina ungueal.

A SBD-RS também destaca que profissionais que mantêm as mãos úmidas durante longos períodos ou trabalham com substâncias químicas sem proteção adequada estão mais suscetíveis a desenvolver problemas nas unhas.

Cuidados com produtos e cutículas

A entidade orienta cautela no uso de bases fortalecedoras sem orientação médica. Embora alguns produtos possam auxiliar em situações específicas, eles nem sempre tratam a origem do problema.

Segundo a SBD-RS, produtos à base de formol podem endurecer temporariamente as unhas, mas também podem aumentar a fragilidade e favorecer irritações e alergias. Já os esmaltes hipoalergênicos podem ser uma alternativa para pessoas sensíveis a determinadas substâncias, embora não substituam a avaliação dermatológica quando as alterações persistem.

Outro ponto destacado pela entidade é a importância da preservação das cutículas. A recomendação é evitar sua remoção profunda, já que elas funcionam como uma barreira de proteção da matriz ungueal.

Quando retiradas em excesso, as cutículas podem facilitar a entrada de bactérias, fungos e agentes químicos, aumentando o risco de infecções, inflamações e deformidades. Em salões de beleza, a orientação é apenas empurrar delicadamente ou remover o excesso, além de observar a higienização dos instrumentos utilizados.

Investigação médica

De acordo com a SBD-RS, a avaliação médica pode incluir exame clínico, análise dos hábitos de cuidado com as unhas, revisão da alimentação e, quando necessário, exames laboratoriais para identificar possíveis deficiências nutricionais ou doenças associadas.

Entre as condições que podem se manifestar por alterações nas unhas estão problemas de tireoide, diabetes e outras doenças sistêmicas.

A entidade também alerta para os riscos da automedicação com vitaminas, suplementos e fórmulas manipuladas. Segundo a SBD-RS, o consumo excessivo de determinados nutrientes pode provocar efeitos indesejados e não resolve necessariamente a causa da fragilidade ungueal.

Orientação da SBD-RS

A Sociedade Brasileira de Dermatologia – Secção do Rio Grande do Sul reforça que os cuidados com as unhas vão além da estética. Alterações persistentes, fragilidade acentuada ou mudanças de cor, espessura, formato e crescimento devem ser avaliadas por um médico dermatologista, profissional habilitado para diagnosticar e tratar doenças da pele, dos cabelos e das unhas.

Em casos de suspeita, a orientação é procurar atendimento especializado para investigação e acompanhamento adequados.

Foto: Divulgação | Fonte: Assessoria
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