Sindimetal RS se posiciona contra redução da jornada e fim da escala 6×1

Por Jonathan da Silva

O Sindimetal RS divulgou recentemente um posicionamento contrário à redução da jornada de trabalho e ao fim da escala 6×1 no Brasil, em meio ao avanço do debate sobre o tema no país. A manifestação foi apresentada por meio de um manifesto, no qual a entidade expõe seus argumentos, relacionados à produtividade, ao custo do trabalho e à competitividade econômica.

No documento, a entidade afirma que não considera este o momento adequado para discutir a redução da jornada ou o fim da escala 6×1. “Não é hora e nem o momento de falarmos em redução de jornada e fim da escala 6 x 1”, registra o texto.

Entre os argumentos apresentados, o Sindimetal RS destaca indicadores relacionados à produtividade e à estrutura econômica do país. Segundo o manifesto, o Brasil ocupa o 100º lugar em produtividade entre 189 países e possui uma das maiores taxas de juros do mundo.

O texto também apresenta dados sobre a população e o mercado de trabalho, apontando que o país tem cerca de 215 milhões de habitantes, com 108 milhões de pessoas economicamente ativas. Deste total, 39 milhões possuem carteira assinada, enquanto 48 milhões recebem Bolsa Família e aproximadamente 24 milhões estão na informalidade.

De acordo com a entidade, mudanças que endureçam regras de contratação formal podem incentivar a migração para a informalidade.

Custos e competitividade

O manifesto afirma que a redução da jornada sem compensações estruturais pode gerar aumento de custos. “Reduzir a jornada por imposição geral e uniforme sem enfrentar o custo Brasil, sem redução proporcional de salário, com insegurança jurídica, e complexidade tributária, mais o peso sobre a folha de pagamento, e a baixa qualificação média dos profissionais e com infra estrutura deficiente, em um cenário de produtividade industrial abaixo dos concorrentes globais, informalidade crescente, margens comprimidas e pressão sobre preços, impor redução estrutural de jornada sem compensação produtiva significa aumento do custo por hora trabalhada, redução da competitividade, deslocamento de investimentos e risco ao próprio emprego que se pretende proteger”, diz o texto.

A entidade também menciona que a redução da jornada com manutenção de salários pode elevar os custos do trabalho entre 10% e 15%, com possível repasse ao consumidor final. “O que precisa ficar claro, que o fim da escala 6×1 e a redução de jornada, vai ter um custo adicional (não existe almoço grátis, alguém sempre paga) e neste caso os custos serão repassados para o produto final, é o consumidor final que vai pagar esta conta”, aponta o manifesto.

O documento ressalta que a Constituição estabelece limite de 44 horas semanais de trabalho e que a Reforma Trabalhista permite a negociação de escalas entre empregadores e empregados, conforme as características de cada setor.

Segundo o Sindimetal RS, a adoção de regras gerais pode restringir acordos específicos. “Não vamos criar um problema para uma solução que já existe”, conclui o texto.

Foto: DC Studio/Freepik/Reprodução | Fonte: Assessoria
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