Motorhomes viram negócio bilionário no Brasil e tecnologia de energia se torna peça-chave nessa corrida

Por Marina Klein Telles

O mercado de motorhomes no Brasil deixou de ser um nicho e entrou definitivamente na agenda de crescimento da indústria. O que até poucos anos atrás era restrito a um público específico hoje ganha escala, diversidade e sofisticação, impulsionado por mudanças no comportamento do consumidor e pela busca por autonomia.

Os números ajudam a dimensionar esse movimento. Em 2024, o setor movimentou cerca de R$ 1,5 bilhão e pode crescer até 11,2% ao ano, segundo estimativas do Sebrae. No cenário global, a tendência é ainda mais robusta: o mercado deve superar US$ 49 bilhões até 2034, enquanto o segmento de veículos recreativos projeta expansão adicional de US$ 28,6 bilhões até 2026.

Por trás dessa expansão, há uma mudança estrutural. O consumidor ficou mais jovem, mais digital e disposto a investir mais em experiências, com gastos médios de férias que já chegam a € 2.800 (cerca de R$ 16 mil).

O efeito pós-pandemia que redefiniu o setor

O ponto de virada aconteceu a partir de 2020. O isolamento social, combinado à necessidade de segurança e flexibilidade, transformou o motorhome em uma solução prática para viajar, e, em muitos casos, viver.

A demanda explodiu. Locadoras ficaram pressionadas, fabricantes aceleraram produção e novos players entraram no mercado. O resultado foi a consolidação de um novo ciclo de crescimento que ainda está em curso.

Hoje, a indústria nacional já opera com produção estimada entre 450 e 500 unidades mensais, incluindo motorhomes, trailers e campers.

Energia: o diferencial invisível que virou protagonista

Se há um elemento que simboliza a nova fase do setor, é a energia. A evolução dos motorhomes passa diretamente pela capacidade de operar de forma autônoma, longe da rede elétrica, com conforto e segurança. É nesse ponto que empresas de tecnologia ganham protagonismo.

A holandesa Victron Energy se posiciona como uma das principais fornecedoras globais de soluções para esse novo cenário. Com mais de cinco décadas de atuação, a companhia vem ampliando sua presença no Brasil acompanhando o avanço do caravanismo.

Seu portfólio inclui sistemas completos que combinam baterias, inversores, carregadores e plataformas de monitoramento remoto, permitindo que motorhomes operem com independência energética total.

O desempenho acompanha essa estratégia. A operação brasileira da empresa cresceu 113% em 2025 e avançou mais 133% em participação de mercado no primeiro trimestre de 2026, consolidando o país como um dos focos globais da companhia.

Segundo Edimar Prumucena, Sales Manager da operação da Victron no Brasil, “a empresa, o diferencial competitivo está na confiabilidade e na robustez dos sistemas, projetados para operar em ambientes exigentes, com alto nível de eficiência e segurança. Sistemas da Victron permitem que veículos operem de forma totalmente independente da rede elétrica, com armazenamento em baterias, geração solar embarcada e gerenciamento inteligente do consumo, essencial para viagens longas”.

A aposta em armazenamento e eficiência

Dentro da estratégia de expansão, a empresa reforça a aposta na SuperPack NG, bateria de lítio desenvolvida para substituir modelos de chumbo-ácido em novas instalações e projetos de retrofit. “O equipamento já sai de fábrica com BMS integrado e recursos voltados à operação simplificada, como aquecimento interno para carregamento em temperaturas abaixo de 0°C e chave física liga/desliga para armazenamento fora de temporada”, ressalta Edimar Prumucena. Disponível nas versões 12V, 24V e 48V, o modelo é compatível com o aplicativo VictronConnect, permitindo monitoramento e configuração remota.

Na prática, isso significa maior autonomia, mais segurança e gestão inteligente de energia, atributos essenciais para quem passa dias ou semanas fora de infraestrutura convencional.

Santo Inácio: produção nacional com escala e personalização

Se a tecnologia é o motor invisível, a indústria nacional é o braço que leva essa inovação para a estrada. A Santo Inácio Motorhomes, com sede em Gramado (RS) e com mais de 17 anos de atuação, a empresa se consolidou como uma das principais referências do setor do país. Com mais de 10 mil m² de estrutura industrial e mais de 1.100 clientes atendidos, a empresa traduz o crescimento do mercado em escala produtiva. Um número que ajuda a dimensionar o crescimento do segmento, mas que, segundo, relatos de clientes, representa algo maior: uma mudança de estilo de vida.

Hoje, a Santo Inácio mantém um ritmo médio de produção de cerca de 10 unidades por mês, com modelos que variam entre R$ 300 mil e mais de R$ 1,5 milhão, todos incorporando sistemas completos da Victron Energy.

A proposta vai além da fabricação: a empresa investe em engenharia própria e projetos adaptados à realidade brasileira, garantindo autonomia energética e conectividade em qualquer cenário. Os motorhomes são equipados com soluções avançadas de armazenamento e geração de energia, permitindo longos períodos fora da rede elétrica convencional, sem abrir mão de conforto e segurança.

Outro diferencial é a autonomia de internet. Muitos modelos contam com antenas acopladas ao veículo, como as da Starlink, que utilizam conexão via satélite para oferecer sinal estável mesmo em regiões remotas. Isso possibilita acesso à internet em locais considerados inóspitos, como áreas isoladas da Amazônia ou no Deserto do Atacama, ampliando a liberdade de viagem sem desconexão do mundo digital.

Da viagem ao novo modelo de vida

O avanço do setor revela uma mudança mais profunda: o motorhome deixou de ser um produto e passou a ser plataforma de estilo de vida. Famílias que passam mais tempo juntas, profissionais que trabalham remotamente e empreendedores que operam sem endereço fixo fazem parte de um novo perfil de usuário.

Os relatos de clientes reforçam essa transformação. Há viagens que cruzam toda a América do Sul, de Ushuaia e Montevideo e chegam até o Alasca. Outras atravessam oceanos e seguem para Europa e norte da África, passando por destinos como o Marrocos.

Nesse contexto, autonomia energética e de internet confiáveis deixam de ser diferenciais e passam a ser requisitos básicos.

O Brasil no radar global do caravanismo

O avanço do setor também redesenha o mapa do mercado nacional. O Sul concentra a produção, o Sudeste lidera o consumo e regiões como Centro-Oeste e Nordeste começam a ganhar espaço com o ecoturismo.

Apesar dos desafios, como infraestrutura limitada e ausência de regulamentação específica, o Brasil avança para uma fase mais madura.

A combinação de tecnologia, mudança de comportamento e novos modelos de negócio coloca o país entre os mercados emergentes mais promissores do caravanismo global.

E, nesse cenário, empresas como Victron Energy e Santo Inácio deixam claro que o futuro do setor não está apenas nas estradas, mas na energia que sustenta cada quilômetro percorrido.

Foto: Divulgação | Fonte: Assessoria
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