Livro sobre culturas indígenas do Vale do Sinos é lançado em São Leopoldo

Por Jonathan da Silva

A escritora Simone Saueressig lançou oficialmente, no dia 17 de junho, o livro “Os Ossos e Cinzas”, em evento realizado no Museu do Rio, em São Leopoldo. A atividade reuniu convidados, como os diretores da Expansão, Ana Maribel Pacheco e Sérgio Luiz Jost, além de estudantes do 6º ano da Escola Municipal Otília Carvalho Rieth e integrantes da equipe responsável pela produção da obra. Durante a programação, os alunos receberam exemplares do livro, conheceram detalhes sobre o processo de criação da publicação e participaram de uma sessão de autógrafos.

A obra combina literatura fantástica com referências às culturas indígenas Kaingang e Guarani do Vale do Sinos e integra um projeto cultural que também prevê oficinas, distribuição gratuita de exemplares e atividades educativas.

Durante o lançamento, a escritora Simone Saueressig destacou a importância do contato entre autores e leitores proporcionado por eventos dessa natureza. “Todo livro é um diálogo e um convite e este momento é muito importante, pois é a oportunidade que temos para dialogar com o nosso leitor, e ele com os nossos personagens”, pontuou a autora.

Produção inspirada em culturas indígenas

A narrativa é ambientada há cerca de mil anos e tem como protagonistas Nãfy, um jovem de uma aldeia Kaingang que possui a capacidade de compreender a linguagem dos animais, e Jandira, uma menina de uma aldeia Guarani. As histórias podem ser lidas separadamente e convergem para um desfecho comum no centro da obra, que possui duas capas e permite ao leitor iniciar a leitura por qualquer um dos lados.

As ilustrações são assinadas pelo artista visual Maurício Hilgert. Segundo Hilgert, a elaboração do material envolveu pesquisa e diálogo entre os participantes do projeto. “Acho que é um livro bastante importante para a região, inclusive por resgatar bastante da história dos povos Kaigang e Guaranis”, ressaltou o artista.

A edição foi produzida pela Simples Assim e contou com assistência dos leitores sensíveis Bruno Ferreira e Joel Pereira, profissionais ligados à educação indígena e à pesquisa sobre interculturalidade.

Reconhecimento ao projeto

Durante o lançamento, a representante do Escritório do Ministério da Cultura no Rio Grande do Sul, Patrícia Affonso, destacou a relevância da iniciativa. “Trazer um conteúdo desta qualidade, que relata de forma tão bonita uma história que integra a cultura indígena é uma atitude que precisa ser valorizada”, comentou Patrícia.

O projeto foi viabilizado por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura e recebeu patrocínio do Grupo Sinosserra, Courovale, TFL do Brasil e Unique Rubber.

Acessibilidade e inclusão

Além da versão impressa, o livro contará com edição em formato digital ePUB, compatível com recursos de acessibilidade para pessoas cegas ou com baixa visão. A proposta busca ampliar o acesso ao conteúdo e permitir que diferentes públicos possam acompanhar a narrativa.

Oficinas para comunidades indígenas

O projeto também contempla oficinas gratuitas de escrita criativa ministradas pela escritora Milene Barazzetti em comunidades indígenas de São Leopoldo e Porto Alegre. As atividades contam com mediação de representantes Guarani e Kaingang e têm como foco incentivar a formação de novos escritores indígenas.

Distribuição para escolas

A partir de julho, exemplares do livro serão distribuídos gratuitamente para escolas municipais, estaduais e particulares do Vale do Sinos. As entregas ocorrerão por meio das secretarias municipais de Educação e também diretamente às instituições estaduais e privadas.

Os professores receberão material pedagógico alinhado à Base Nacional Comum Curricular (BNCC), com sugestões de atividades relacionadas à temática indígena abordada na obra. Também estão previstos encontros entre a escritora Simone Saueressig e estudantes de escolas da região para discutir o processo criativo que deu origem ao livro.

Quem são os responsáveis pela obra

Natural de Campo Bom, Simone Saueressig iniciou sua trajetória literária em 1987 com o livro O mistério do formigueiro. Ao longo da carreira, publicou obras voltadas ao público infantil e infantojuvenil e atuou como editora de páginas infantis do Jornal NH, do Grupo Sinos, e do Diário Ya, de Madri, na Espanha.

Já o artista visual Maurício Hilgert, natural de Novo Hamburgo, atua nas áreas de design, artes plásticas e pesquisa de materiais alternativos. O profissional acumula participações em exposições realizadas no Brasil e em Portugal, além de premiações na área de design gráfico.

Foto: Divulgação | Fonte: Assessoria
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