Espetáculo de Déborah Colker volta a Porto Alegre

Por Gabrielle Pacheco

Nesse sábado (19), “Cão Sem Plumas”, da Companhia de Dança Deborah Colker, volta à capital gaúcha. O espetáculo terá inicio às 21h, no Teatro do Bourbon Country.

Baseado no poema homônimo de João Cabral de Melo Neto (1920-1999), Cão Sem Plumas é o primeiro espetáculo de temática explicitamente brasileira assinado por Deborah Colker. A nova montagem, que estreou em junho de 2017, tem feito sucesso por onde passa, e já levou mais de 30 mil pessoas a teatros de 20 cidades brasileiras nos últimos meses.

O espetáculo também rendeu recentemente quatro indicações ao Prix Benois de la Danse, considerado o Oscar da dança. Deborah Colker foi indicada, marcando a primeira vez que um coreógrafo brasileiro está entre os selecionados pelo júri, enquanto Jorge Dü Peixe e Berna Ceppas concorrem na categoria de compositores e Gringo Cardia na de cenógrafos.

Publicado em 1950, o poema acompanha o percurso do rio Capibaribe, que corta boa parte do estado de Pernambuco. Mostra a pobreza da população ribeirinha, o descaso das elites, a vida no mangue, de “força invencível e anônima”. A imagem do “cão sem plumas” serve para o rio e para as pessoas que vivem no seu entorno.

O espetáculo é sobre coisas inconcebíveis, que não deveriam ser permitidas. É contra a ignorância humana. Destruir a natureza, as crianças, o que é cheio de vida”, diz Deborah.

A dança se mistura com o cinema. Cenas de um filme realizado por Deborah e pelo pernambucano Cláudio Assis, diretor de longas-metragens como Amarelo Manga, Febre do Rato e Big Jato, são projetadas no fundo do palco e dialogam com os corpos dos 13 bailarinos. As imagens foram registradas em novembro de 2016, quando a coreógrafa, o cineasta e toda a companhia viajaram durante 24 dias no limite entre sertão e agreste até Recife.

A jornada também foi documentada pelo fotógrafo Cafi, nascido em Pernambuco. Na trilha sonora original estão mais dois pernambucanos: Jorge Dü Peixe, da banda Nação Zumbi e um dos expoentes do movimento mangue beat, e Lirinha (ex-cantor do Cordel do Fogo Encantado, poeta e ator), além do carioca Berna Ceppas, que acompanha Deborah desde o trabalho de estreia, Vulcão (1994). Outros antigos parceiros estão em cenografia e direção de arte (Gringo Cardia) e na iluminação (Jorginho de Carvalho). Os figurinos são de Claudia Kopke. A direção executiva é de João Elias, fundador da companhia.

Os bailarinos se cobrem de lama, alusão às paisagens que o poema descreve e seus passos evocam os caranguejos. O animal que vive no mangue está nas ideias do geógrafo Josué de Castro (1908-1973), autor de Geografia da fome e Homens e caranguejos, e do cantor e compositor Chico Science (1966-1997), principal nome do mangue beat. O movimento mesclava regional e universal, tradição e tecnologia.

Para construir um bicho-homem, conceito que é base de toda a coreografia, a artista não se baseou apenas em manifestações que são fortes em Pernambuco, como maracatu e coco. Também se valeu de samba, jongo, kuduro e outras danças populares. “Minha história é uma história de misturas”, afirma ela.

Foto: divulgação | Fonte: Assessoria
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