O Rio Grande do Sul vive um cenário que exige articulação e resposta coordenada no enfrentamento ao HIV. Com indicadores acima da média nacional, incluindo elevada mortalidade e concentração de casos na Região Metropolitana, o estado mobiliza diferentes setores da saúde para a construção da Carta de Porto Alegre: Aliança Gaúcha pelo Enfrentamento do HIV.
A iniciativa, liderada pela Sociedade Gaúcha de Infectologia (SGI) e que conta com apoio da Associação Médica do Rio Grande do Sul (AMRIGS), tem como objetivo reunir organizações da sociedade civil, secretarias municipais de saúde e sociedades médicas em um compromisso conjunto, com foco na ampliação do acesso à prevenção, diagnóstico e tratamento.
Entre os dados que reforçam a urgência do tema, estudos recentes publicados pela JAMA Network apontam que até 1 em cada 18 jovens entre 18 e 25 anos em Porto Alegre vive com HIV, evidenciando o risco ampliado nessa faixa etária e a necessidade de estratégias mais efetivas.
A proposta da Carta está estruturada em duas frentes principais: a ampliação da testagem universal e regular, com diagnóstico precoce e início imediato do tratamento, e a expansão da prevenção combinada, incluindo o acesso à PrEP oral e à PrEP injetável de longa duração. Evidências científicas demonstram que essas medidas são capazes de reduzir significativamente a transmissão e melhorar os desfechos clínicos.
O lançamento oficial da Carta de Porto Alegre ocorre no dia 23 de maio, às 10h30, durante o InfectoTchê, que ocorre no Hotel Hilton, em Porto Alegre, um dos principais encontros científicos da área na região Sul.
A iniciativa se apresenta como um movimento aberto e colaborativo, com a proposta de colocar as pessoas no centro da resposta ao HIV, promovendo equidade no acesso, cuidado contínuo e integração entre diferentes atores da saúde pública e privada.


