Em um mercado transformado pelo avanço tecnológico e por consumidores saturados de telas, os pequenos negócios enfrentam o desafio de se reinventar sem perder a essência humana. Este cenário ditou o tom da edição junho do Café Empresarial, realizado na manhã da terça-feira (16), no Antigo Bistrô.
Promovido pela Associação Comercial e Industrial (ACI) de Santa Cruz, o encontro reuniu empresários e lideranças da região para debater os insights da NRF 2026, a maior feira de varejo do mundo, que acontece anualmente em Nova York. Conduzido por Stefano Willig, CEO da AWISE QuantoSobra, o bate-papo demonstrou de forma prática como as pequenas empresas podem prosperar adotando o “comércio agêntico”, transformando a loja física em um espaço de convivência e utilizando o WhatsApp para multiplicar as vendas. “Não é sobre copiar a Amazon ou o Walmart, é sobre entender a lógica e aplicar na sua escala, na sua realidade e no seu caixa”, destacou o especialista.
Com 13 anos de experiência no desenvolvimento de softwares de gestão que atendem mais de 4.100 lojistas, Stefano Willig destaca que a grande virada mercadológica deste ano é o chamado “comércio agêntico”, impulsionado por assistentes conversacionais de Inteligência Artificial (como ChatGPT, Gemini e Claude) que mudaram drasticamente o hábito de consumo.
“Hoje, o cliente não faz buscas tradicionais, ele pede diretamente à IA”, destacou. O robô processa a intenção, analisa estoques e indica o melhor produto e a melhor loja. O impacto disso, argumenta Willig, é demonstrado por dados: a Shopify registrou um aumento de 14 vezes nos pedidos via IA, 24% dos brasileiros já usam a tecnologia e, no país, as conversões pelo WhatsApp são 3 vezes maiores do que em apps próprios de marcas.
Para ser recomendado por essas IAs, ele alerta que o lojista precisa manter dados de estoque organizados, histórico de clientes, respostas rápidas e um perfil ativo no Google Meu Negócio.
A importância da loja física
O painel também quebrou o mito do fim das lojas físicas ao revelar que a Geração Z gasta 3 dólares no varejo físico para cada 1 dólar gasto no digital. Sofrendo de exaustão digital e “fome sensorial” mais de 80% dos jovens desejam se desconectar. “A geração mais digital é também a mais cansada de tecnologia”, afirmou Willig.
O especialista compartilhou exemplos de grandes marcas globais, como a Ulta Beauty, em que as lojas físicas retêm 80% das vendas. “Por mais que eu use a inteligência artificial para gerar uma foto de uma blusa, o caimento nunca vai ser igual ao real. Só o mundo real para você sentir como aquilo ali caiu no seu corpo”, exemplificou o palestrante.
Diante desse cenário, a estratégia para o comércio local exige que a loja física mude de papel. Ela não deve ser apenas uma vitrine passiva que depende do fluxo de pedestres. “O ponto de venda precisa se transformar no terceiro lugar do consumidor, o espaço onde ele deseja estar e conviver, logo após a sua própria casa e o seu trabalho”.
O palestrante reforçou que o pequeno varejista possui armas poderosas em mãos. Ao organizar seus dados e humanizar sua marca por meio de canais que o cliente já utiliza, como o WhatsApp e as redes sociais, o comércio local une a eficiência da tecnologia com o poder insubstituível da conexão humana.


