Inverno eleva circulação de vírus respiratórios e aumenta alerta na saúde

Por Jonathan da Silva

A chegada oficial do inverno, em 21 de junho, deve intensificar a circulação de vírus respiratórios no Rio Grande do Sul e ampliar a procura por atendimento médico, especialmente entre idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas ou baixa imunidade. O alerta é reforçado pelo Hospital Ernesto Dornelles (HED), em Porto Alegre, diante do aumento sazonal de casos de síndromes respiratórias e da descompensação de enfermidades pré-existentes. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as infecções respiratórias estão entre as principais causas de hospitalização e mortalidade em populações vulneráveis.

No Hospital Ernesto Dornelles, o crescimento da demanda por atendimentos relacionados a problemas respiratórios faz parte da rotina dos meses mais frios. De acordo com a pneumologista e coordenadora da Unidade de Cuidados Respiratórios (UCR) do HED, Juliana Cardozo Fernandes, pacientes com doenças já diagnosticadas estão entre os mais afetados. “A grande maioria dos pacientes que procuram as emergências hospitalares são pessoas com condições crônicas respiratórias ou enfermidades de outras naturezas, como diabetes e cardiopatia. Por conta da maior circulação de vírus e infecções nesta época, essas doenças acabam descompensando e gerando situações de maior risco à vida”, explica Juliana.

A médica acrescenta que sintomas persistentes costumam levar pacientes e familiares à busca por assistência imediata. “Muitas vezes o paciente tem receio de permanecer em casa porque apresenta falta de ar importante, febre persistente ou porque um idoso fica mais sonolento e prostrado. Isso gera insegurança e leva a família a procurar uma emergência hospitalar”, afirma Juliana.

Atenção aos sintomas

Durante o inverno, aumentam os registros de Influenza, Covid-19 e outras síndromes respiratórias virais. Entre os sinais que exigem atenção estão febre alta persistente, dores intensas no corpo, dor de cabeça, tosse, dor de garganta, secreção nas vias respiratórias e falta de ar. “Febre alta persistente, dores intensas no corpo, dor de cabeça, tosse, dor de garganta, secreção nas vias respiratórias e falta de ar podem indicar uma doença mais limitante, capaz de comprometer as atividades diárias e exigir avaliação médica”, observa Juliana.

A especialista destaca a importância dos testes diagnósticos. “Para quem apresenta sintomas sugestivos, o teste é fundamental para identificar se o quadro está relacionado à Influenza ou à Covid-19. Também é importante adotar medidas simples, como repouso, hidratação adequada e o uso das medicações orientadas pelo médico”, reforça a médica.

Momento adequado para os exames

Segundo a pneumologista, o período em que os testes são realizados interfere na precisão do diagnóstico. “Hoje existem testes capazes de identificar diferentes vírus respiratórios, permitindo ao médico uma boa rastreabilidade inicial da síndrome viral. Mas é importante respeitar o tempo adequado. Muitas vezes o paciente apresenta os primeiros sintomas pela manhã e já quer realizar o exame. O ideal é aguardar entre 48 e 72 horas para obter um melhor aproveitamento diagnóstico”, explica Juliana.

A especialista ressalta ainda que o tempo de afastamento das atividades deve considerar a gravidade dos sintomas. “A gravidade do quadro é o que vai determinar a necessidade de repouso e o tempo de afastamento das atividades sociais e profissionais”, acrescenta a médica.

Vacinação como principal estratégia

Embora a campanha nacional de vacinação contra a gripe destinada aos grupos prioritários tenha sido oficialmente encerrada, a Secretaria Estadual da Saúde mantém a orientação para preservação de estoques estratégicos, a fim de garantir a imunização contínua de crianças, idosos e gestantes. A ampliação da vacinação para o público em geral depende da disponibilidade de doses nos municípios.

Para a médica, a vacinação segue sendo a principal estratégia para reduzir complicações. “No geral, a vacina é o que muda a trajetória desse desfecho. Hoje temos uma distribuição cada vez mais precoce das doses porque sabemos que os vírus começam a circular já a partir de abril. Infelizmente, ainda observamos uma adesão menor do que a desejada”, alerta Juliana.

Grupos mais vulneráveis

Crianças pequenas, idosos e pessoas imunossuprimidas estão entre os grupos que exigem maior vigilância durante a estação. “A criança está construindo sua imunidade e depende muito do calendário vacinal, especialmente nos primeiros meses de vida. Já os idosos enfrentam uma redução natural da resposta imunológica em razão do envelhecimento. Por isso, esses são os grupos que mais preocupam”, destaca Juliana.

Pacientes em tratamento oncológico, pessoas com doenças inflamatórias crônicas ou em uso de medicamentos imunossupressores também apresentam maior suscetibilidade às infecções respiratórias. “Nessas situações, o uso de máscara em determinados ambientes e a intensificação do uso de álcool gel para higiene das mãos, pode ser uma estratégia importante de proteção”, orienta a médica.

A especialista lembra que a transmissão viral pode ocorrer tanto pelo ar quanto pelo contato com superfícies contaminadas. “A gotícula pode permanecer em maçanetas, mesas, teclados e outros objetos de uso coletivo. Por isso, além da vacinação, medidas como higiene frequente das mãos, ventilação dos ambientes e uso de máscara por pessoas mais vulneráveis continuam sendo ferramentas importantes de proteção”, conclui Juliana.

Estrutura especializada

Para atender pacientes com doenças pulmonares agudas e crônicas, o Hospital Ernesto Dornelles mantém a Unidade de Cuidados Respiratórios (UCR), localizada no 9º andar da instituição. O serviço dispõe de recursos de oxigenoterapia e ventilação não invasiva, além de equipe multidisciplinar composta por pneumologistas, fisioterapeutas, profissionais de enfermagem, farmácia clínica, nutrição, nutrologia e psicologia.

O modelo assistencial inclui monitoramento contínuo, suporte nutricional individualizado, acompanhamento psicológico para pacientes e familiares e fisioterapia diária voltada à reabilitação respiratória e motora.

Fundado em 1962, o Hospital Ernesto Dornelles possui 220 leitos e atua em 33 especialidades médicas. A instituição desenvolve atividades de assistência, ensino, pesquisa e inovação em saúde no Rio Grande do Sul.

Foto: Divulgação | Fonte: Assessoria
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