Com décadas de investimentos em microeletrônica, formação de profissionais especializados e atração de empresas do setor, o Estado chega ao SemiCon-LAC 2026 como uma referência nacional em áreas estratégicas como design e encapsulamento de chips. O Simpósio de Semicondutores da América Latina e do Caribe, que acontece entre os dias 17 e 19 de junho, no Tecnopuc – Parque Científico e Tecnológico da PUCRS, está reunindo representantes de governos, universidades, centros de pesquisa e empresas de diversos países para discutir o futuro da indústria na região.
Para Adão Villaverde, chair do SemiCon-LAC 2026, a escolha do Rio Grande do Sul como sede do evento reflete uma trajetória construída ao longo de décadas. “Quando se fala em semicondutores no Brasil, o Rio Grande do Sul é reconhecido como um grande centro na área de microeletrônica e informática, resultado de investimentos que começaram ainda nos anos 1980”, afirma.
Porque a indústria gaúcha de semicondutores se destaca?
Segundo ele, o Estado concentra uma parcela significativa das empresas brasileiras do setor e reúne competências consolidadas em etapas fundamentais da cadeia produtiva. Entre elas, destacam-se justamente o design de circuitos integrados e o encapsulamento, fases responsáveis pela concepção dos chips e pela preparação dos componentes para aplicação industrial.
Uma expertise sólida construída através:
– Formação de talentos;
– Articulação junto à universidade e centros de pesquisa;
– União do poder público, academia e indústria;
– Ampliação contínua da base científica e tecnológica;
– Iniciativas em microeletrônica nos hubs de inovação.
Por que o RS atrai investimentos em design e encapsulamento de chips?
De acordo com Simone Stülp, decana associada da Escola Politécnica da PUCRS e uma das articuladoras do ecossistema gaúcho de semicondutores, a trajetória do setor é resultado de um esforço contínuo que atravessa diferentes gerações. “O ecossistema de semicondutores do Rio Grande do Sul vem sendo construído há décadas, a partir da formação de pessoas altamente qualificadas e da criação de condições para que empresas de tecnologia se estabeleçam e cresçam no Estado”, destaca.
A partir dessa base de conhecimento, o Rio Grande do Sul passou a atrair empresas nacionais e internacionais especializadas em design de chips, encapsulamento e microeletrônica. O fortalecimento do setor também foi impulsionado pela presença do Centro Nacional de Tecnologia Eletrônica Avançada (Ceitec), pela instalação de operações como HT Micron, EnSilica e Impinj, além da atuação de centros de pesquisa vinculados a universidades e parques tecnológicos.
Outro diferencial do Estado é a presença de uma cadeia eletroeletrônica consolidada, capaz de conectar pesquisa, desenvolvimento e aplicação industrial. Na prática, além de desenvolver tecnologias para semicondutores, o Rio Grande do Sul também abriga empresas que utilizam esses componentes em seus produtos, criando um ambiente favorável para inovação e geração de negócios.
Programa Semicondutores RS: O que é?
Nos últimos anos, essa estratégia ganhou novos instrumentos de apoio com a criação do Programa Semicondutores RS, iniciativa do governo estadual que atua em três frentes principais: formação de profissionais especializados, geração de conhecimento e fortalecimento empresarial. O programa também tem contribuído para a atração de novos investimentos, a criação de startups e a retenção de talentos na região.


