O professor e advogado Cristiano Pinto Ferreira conduziu a imersão “A Nova Advocacia” nos dias 20, 21 e 22 de fevereiro, em Porto Alegre. O evento reuniu mais de 300 advogados para discutir o uso de tecnologia, inteligência artificial e posicionamento profissional no mercado jurídico. A atividade teve como foco a adaptação tecnológica como requisito para o exercício da profissão diante das transformações digitais.
Durante o encontro, Pinto Ferreira abordou mudanças no comportamento do mercado e dos clientes, destacando que a transformação digital passou a integrar a rotina da advocacia. O advogado atua na formação de uma comunidade com mais de 30 mil advogados no Brasil e na Europa, com proposta voltada à aplicação prática de inovação na gestão de escritórios, comunicação com clientes e modelos de atuação jurídica.
Segundo o professor, uma das principais barreiras enfrentadas pelos profissionais é cultural. “O primeiro obstáculo é o preconceito criado na própria formação jurídica. O profissional acredita que precisa continuar fazendo tudo da mesma forma. Mas chega um momento em que a adaptação deixa de ser escolha e passa a ser uma questão de sobrevivência”, afirma Pinto Ferreira.
Mudança no comportamento do cliente
O advogado destaca que a resistência ao marketing jurídico, à tecnologia e à inteligência artificial está relacionada à formação tradicional de parte dos profissionais. Para ele, a velocidade das transformações sociais e tecnológicas exige atualização constante. “Hoje, as pessoas pesquisam na internet antes de contratar um advogado. O profissional que aprende a se posicionar, a comunicar seu trabalho e a usar a inteligência artificial para ganhar produtividade sai na frente. Infelizmente, o mais reconhecido muitas vezes vence o melhor”, explica Pinto Ferreira.
Inteligência artificial
O professor compara o impacto da inteligência artificial à Revolução Industrial, ressaltando a diferença na velocidade das mudanças. “Na Revolução Industrial, o mundo teve décadas para se adaptar. Hoje, falamos em meses. Se o profissional ficar seis meses sem acompanhar o que está acontecendo, ele já pode estar fora do jogo”, ressalta Pinto Ferreira.
O advogado acrescenta que a transformação atinge diferentes áreas profissionais e que a capacidade de adaptação tornou-se habilidade necessária. “O mercado está mudando, a tecnologia está mudando e o advogado precisa entender que faz parte dessa nova revolução. Não é discurso, é realidade”, enfatiza o professor.
Formação coletiva
Pinto Ferreira lidera o ecossistema educacional Advogado 10X, que, segundo ele, já formou mais de 20 mil alunos ao longo de uma década, com treinamentos presenciais e online no Brasil e no exterior. Durante a passagem por Porto Alegre, ele enfatizou o papel do aprendizado coletivo na atualização profissional. “Quando centenas de profissionais estão em movimento, buscando conhecimento, tecnologia e novas formas de atuar, cria-se um ambiente de crescimento acelerado. O poder do grupo é muito forte, porque todos estão focados em aprender algo novo e construir algo novo.” Segundo o professor, essa mudança impacta o atendimento ao cliente. “O advogado passa a estar muito mais preparado para atender, compreender demandas e entregar soluções,” conclui o especialista.


