Estudo aponta diversidade como diferencial estratégico da vitivinicultura brasileira

Por Marina Klein Telles

Um estudo recém-concluído sobre a vitivinicultura brasileira revela que o setor no país não funciona como uma cadeia linear, mas como um sistema formado por diferentes territórios, modelos produtivos e níveis de organização. O levantamento Brasil Vitivinícola: Panorama Estratégico e Mapeamento da Cadeia de Valor da Vitivinicultura Brasileira aponta que o principal desafio está na dificuldade de articulação entre os elos da cadeia, o que impacta diretamente a geração de valor. Os resultados completos foram apresentados nesta quarta-feira (13), durante a Wine South America, em Bento Gonçalves (RS).

A pesquisa foi desenvolvida ao longo de aproximadamente 15 meses, entre 2024 e 2026, reunindo mais de 40 fontes institucionais e setoriais, 14 relatórios regionais e temáticos, mais de 150 horas de campo, escuta técnica e validação, além de entrevistas, visitas técnicas e análise territorial em mais de 10 territórios vitivinícolas brasileiros. O levantamento utilizou bases de dados de órgãos como IBGE, MAPA, Embrapa, SIPEAGRO, SIVIBE, INPI e Comex Stat para construir uma leitura integrada da vitivinicultura no país.

O estudo foi desenvolvido pela Planorural, no âmbito do Convênio de Cooperação Técnica e Financeira nº 58/2024, firmado entre o Instituto de Gestão, Planejamento e Desenvolvimento da Vitivinicultura do Estado do Rio Grande do Sul (Consevitis-RS) e o Sebrae Nacional. A coordenação é do professor e consultor em marketing estratégico Paulo Henrique Leme, doutor em Administração pela Universidade Federal de Lavras (UFLA).

De acordo com Leme, a principal mudança está na forma de interpretar o setor. “A vitivinicultura brasileira entrou em uma nova fase. O país já não pode ser entendido apenas a partir de uma cadeia única ou de uma região produtora dominante. O estudo mostra um setor diverso, com territórios, produtos e modelos de negócio muito distintos. Essa diversidade é uma vantagem competitiva, mas precisa ser organizada. O desafio agora é coordenar melhor produção, indústria, mercado e território para transformar essa riqueza em valor, renda e desenvolvimento regional.”, afirma.

A pesquisa mostra que a produção de uvas, vinhos e derivados está distribuída em diversas regiões do Brasil, que operam com diferentes escalas, estruturas e estratégias de mercado. Essa diversidade amplia o potencial do setor, mas também exige maior coordenação entre produtores, indústria, distribuição e comercialização. A distribuição de valor ao longo da cadeia depende de coordenação, e os novos modelos de negócio vitivinícola encontrados no estudo demonstram essa necessidade.

Entre os principais gargalos identificados estão os desafios de integração entre os diferentes elos da cadeia, a assimetria de informações e as diferenças de maturidade institucional entre os territórios.

Foto: Divulgação | Fonte: Assessoria
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