“A Ospa está mais preparada e resiliente”, afirma Gilberto Schwartsmann sobre a possibilidade de novos eventos climáticos

Por Marina Klein Telles

Na terceira matéria da série “2 anos pós-enchente: a reconstrução da cultura”, que divulga as ações de recuperação das instituições da Secretaria da Cultura (Sedac) impactadas pela maior tragédia climática do Rio Grande do Sul, apresentamos um balanço das intervenções realizadas na Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (Ospa), fundação vinculada à Sedac, e no Palacinho, sede da Escola de Música da Fundação Ospa (Fospa).

Impactada indiretamente pela enchente de 2024 – a inundação não chegou até a Sala Sinfônica -, o Complexo Cultural Casa da Ospa sofreu diversos danos em função da sequência de dias chuvosos. Para a recuperação do espaço, foram realizadas ações de melhorias na infraestrutura, que exigiu um investimento de R$ 1,8 milhão, oriundo do Banrisul. A instituição reabriu ao público três meses após o evento meteorológico. “Hoje, a Ospa está mais preparada e resiliente do que antes da enchente. A experiência de 2024 reforçou a importância da cultura como instrumento de acolhimento, reconstrução e fortalecimento da sociedade gaúcha”, afirma o presidente da Fospa, Gilberto Schwartsmann.

Entre as intervenções realizadas no Complexo estão a substituição dos equipamentos de climatização e a higienização dos dutos de ar-condicionado; a substituição de peças danificadas e a instalação do elevador. A instituição também investiu em obras preventivas para evitar possíveis perdas patrimoniais no caso de uma nova enchente, como a construção de plataformas de concreto para elevar as máquinas de ar-condicionado. E ainda: foi realizado o conserto de infiltrações no teto.

Para o público, as melhorias representam conforto térmico e acessibilidade. Para a sociedade, proteção do patrimônio em novos eventos climáticos. “A música tem um poder curativo e transformador, mas para que essa conexão aconteça de forma plena, o ambiente físico desempenha um papel fundamental”, destaca o diretor artístico da Ospa, maestro Manfredo Schmiedt. “Quando o público é recebido em um espaço seguro, acessível e com o conforto adequado, ele consegue se desconectar das tensões externas e se entregar inteiramente à experiência artística. Esse acolhimento potencializa a emoção de cada concerto e transforma a nossa casa em um verdadeiro refúgio para a comunidade”, enfatiza.

Uma atualização do projeto elétrico do edifício, considerando as alterações emergenciais realizadas durante o período de cheia, deve ser encaminhada ainda este ano.

Gilberto Schwartsmann destaca que a tragédia representou um dos maiores desafios da história recente da Fospa. “A interdição do Centro Administrativo Fernando Ferrari (Caff), onde se localiza a Casa da Ospa, exigiu a suspensão temporária de concertos e a reorganização de diversas atividades da instituição. Diante desse cenário, buscamos colocar a música a serviço da sociedade. Foram promovidas diversas apresentações musicais em abrigos de Porto Alegre, graças ao apoio de instituições parceiras que nos cederam espaços temporários para retomarmos os ensaios da orquestra. Depois, reorganizamos a temporada e tomamos a decisão de levar a Ospa até cidades atingidas pela enchente, com apresentações gratuitas”, relembra.

A Casa da Ospa fica na Avenida Borges de Medeiros, 1501, no Caff, Centro de Porto Alegre. A agenda de concertos e demais atividades pode ser consultada no site ospa.rs.gov.br.

Foto: Divulgação | Fonte: Assessoria
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