Connection Terroirs do Brasil coloca as Indicações Geográficas no centro da experiência gastronômica e turística em Gramado

Por Marina Klein Telles

Queijos artesanais, vinhos, erva-mate, mel, doces tradicionais e produtos carregados de identidade territorial estarão no centro das experiências do Connection Terroirs do Brasil 2026, que ocorre entre os dias 10 e 13 de junho, em Gramado. Com o mote “Tem IG no meu prato”, o evento transforma a cidade em vitrine nacional das Indicações Geográficas (IGs), reunindo gastronomia, turismo, cultura, negócios e desenvolvimento regional em uma programação espalhada por diferentes pontos do município.

Realizado pela Rossi e Zorzanello, com correalização do Sebrae RS, o Connection ocupará espaços como o Palácio dos Festivais, Rua Coberta, Rua Pedro Benetti e Sociedade Recreio Gramadense. A proposta é aproximar o público dos produtos certificados, destacar histórias construídas nos territórios brasileiros e ampliar as conexões entre produtores, mercado, turismo e empresários do setor gastronômico e varejista.

Entre os destaques da programação está a rodada de negócios, voltada a restaurantes, lojas especializadas, armazéns e empreendimentos que trabalham com produtos premium. A iniciativa busca aproximar compradores e produtores de Indicações Geográficas de diferentes regiões do país, fortalecendo oportunidades comerciais e ampliando a presença desses produtos no mercado. As vagas para participação ainda estão abertas.

Outro eixo importante do evento será a Arena de Conteúdo, que contará com duas manhãs de programação dedicadas a debates e palestras com especialistas e nomes de referência nacional. Os encontros abordarão temas como gastronomia, agregação de valor, branding, posicionamento de marca, destinos sustentáveis e experiências autênticas ligadas aos territórios de origem. Empresários interessados podem se inscrever para participar das atividades, e clientes Sebrae contam com condições diferenciadas de acesso ao evento.

Para a especialista em Turismo do Sebrae RS, Amanda Paim, o evento também evidencia o papel da gastronomia como elo entre produção local e experiência turística. Segundo ela, o circuito gastronômico “IG no meu prato” foi criado justamente para aproximar os restaurantes de Gramado dos produtos de origem certificada. “O objetivo é conectar a gastronomia com os produtos de origem, fazendo com que os restaurantes criem uma narrativa diferente sobre esses pratos e proporcionem uma experiência mais autêntica aos clientes. Os produtos com Indicação Geográfica carregam história, território e autenticidade”, ressalta.

O circuito gastronômico integra restaurantes da cidade que desenvolvem pratos exclusivos utilizando produtos com Indicação Geográfica, oferecendo ao público uma experiência que conecta sabor, território e cultura local. A proposta também fortalece a relação entre turismo e identidade regional, aproximando visitantes das histórias e tradições por trás de cada ingrediente.

Amanda explica que as IGs ajudam a fortalecer destinos turísticos justamente porque estabelecem uma relação direta entre produto e território: “As pessoas visitam o Vale dos Vinhedos para conhecer os vinhos da região. Quem vai a Pelotas busca provar os doces tradicionais. Esses produtos mantêm o saber-fazer local, preservam processos, cultura e características únicas daquele ambiente”.

Além do impacto cultural e turístico, as Indicações Geográficas têm se consolidado como ferramenta estratégica para o desenvolvimento econômico regional. O analista de Agronegócio do Sebrae RS, André Bordignon, explica que as certificações ampliam a competitividade dos pequenos produtores e fortalecem o trabalho coletivo nos territórios. “A Indicação Geográfica é uma ferramenta tecnológica de diferenciação para acesso a mercados de forma competitiva. Ela fortalece a governança local e promove conexões entre empreendedores e diferentes setores da economia”, afirma.

De acordo com Bordignon, o reconhecimento também contribui para qualificar processos produtivos e gerar novas oportunidades de mercado. Ele complementa que “as IGs permitem acessar nichos de consumidores que valorizam cultura, história e o saber-fazer das comunidades. Além disso, os produtores deixam de representar apenas suas marcas individuais e passam a representar um coletivo”.

O crescimento das Indicações Geográficas no Brasil demonstra a expansão desse movimento. Quando o Connection realizou sua primeira edição dedicada aos Terroirs do Brasil, em 2023, o país contabilizava 98 produtos reconhecidos pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Atualmente, o Brasil soma 161 IGs certificadas, sendo 55 reconhecidas nos últimos três anos.

O RS ocupa papel importante nessa trajetória. A primeira Indicação Geográfica registrada no Brasil foi concedida, em 2002, aos Vinhos do Vale dos Vinhedos. Desde então, diferentes produtos conquistaram reconhecimento, como os Doces de Pelotas, o Arroz do Litoral Norte Gaúcho, a erva-mate e produções artesanais do estado.

Mais recentemente, produtores do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná conquistaram a IG do Mel de Melato da Bracatinga do Planalto Sul Brasileiro. Já o mel branco dos Campos de Cima da Serra está entre os produtos que atualmente buscam certificação. Bordignon pontua que o Sebrae RS atua em todas as etapas de construção das Indicações Geográficas, desde os diagnósticos iniciais até a consolidação comercial dos territórios reconhecidos: “trabalhamos desde a sensibilização dos produtores e formação de comitês gestores até a elaboração dos dossiês técnicos necessários para o registro no INPI. Após o reconhecimento, seguimos apoiando os territórios na conexão com o turismo e com o mercado”.

Com o tema “feito com alma, a muitas mãos”, a edição 2026 do Connection reforça justamente o caráter coletivo das Indicações Geográficas e o papel das comunidades na preservação de tradições, produtos e identidades regionais.

O que é uma Indicação Geográfica?

A Indicação Geográfica (IG) é um reconhecimento concedido a produtos ou serviços que possuem características vinculadas ao seu território de origem. O selo certifica que determinada produção carrega qualidades específicas relacionadas ao ambiente, ao clima, ao saber-fazer local e às tradições da comunidade produtora.

Somado a isso, as IGs ajudam a impulsionar o turismo, fortalecer pequenos negócios, ampliar o acesso a mercados diferenciados e incentivar a preservação de práticas produtivas tradicionais. No Brasil, o reconhecimento é concedido pelo INPI.

Foto: Divulgação | Fonte: Assessoria
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