A Casa de Saúde Menino Jesus de Praga abriu inscrições para o Programa de Apadrinhamento Afetivo, iniciativa que busca aproximar pessoas da comunidade de crianças, adolescentes e adultos acolhidos pela instituição, em Porto Alegre. O projeto prevê a criação de vínculos afetivos por meio de encontros supervisionados e acompanhamento técnico, com o objetivo de ampliar a convivência social e fortalecer relações para pessoas em acolhimento institucional que, em muitos casos, não possuem vínculos familiares ativos.
O programa propõe a construção de relações entre padrinhos, madrinhas e acolhidos, sem vínculo com adoção, com foco na convivência e no apoio afetivo. A iniciativa é desenvolvida em parceria com a ELO Organização de Apoio à Adoção e Assistência Social e prevê acompanhamento contínuo de profissionais da instituição.
Atualmente, a Casa acolhe pessoas com deficiências múltiplas e condições complexas de saúde, muitas vezes sem possibilidade de retorno à família de origem. Nesse contexto, o apadrinhamento afetivo busca ampliar a rede de apoio e proporcionar experiências fora da rotina institucional.
Como participar
Os interessados em participar devem passar por um ciclo formativo obrigatório, composto por quatro oficinas temáticas, com carga mínima de seis horas. A formação aborda temas como acolhimento institucional, construção de vínculos, convivência com pessoas com deficiência e limites éticos do apadrinhamento.
Após essa etapa, os candidatos passam por entrevistas e entrega de documentação. O programa também prevê preparação individual dos acolhidos, com acompanhamento de cuidadores e profissionais, respeitando as condições e o tempo de cada participante. Os primeiros encontros entre padrinhos e afilhados ocorrem dentro da instituição, sob supervisão.
De acordo com a coordenadora de Relações Institucionais e Serviço Social da Casa de Saúde Menino Jesus de Praga, Eduarda Roos Enes, a expectativa inicial é atender 29 acolhidos. “A estruturação do Programa de Apadrinhamento Afetivo seguirá essa mesma lógica, com o fortalecimento de etapas como a formação e a capacitação contínua dos padrinhos. O objetivo é prepará-los para compreender as especificidades de saúde e cuidado de cada afilhado, além de refletir sobre a responsabilidade afetiva envolvida nesse vínculo. O acompanhamento técnico também será mantido, tanto nas entrevistas iniciais quanto no suporte durante as visitas, permitindo observar como a relação está sendo construída e, quando necessário, realizar ajustes para garantir vínculos seguros e significativos”, afirmou Eduarda.
Acompanhamento institucional
O programa contará com acompanhamento do Ministério Público e do Poder Judiciário, por meio da Promotoria da Infância e da Juventude, com o objetivo de garantir segurança jurídica e a proteção dos acolhidos.
A promotora de Justiça da Infância e da Juventude de Porto Alegre, Cinara Vianna Dutra Braga, destacou a relevância da iniciativa. “O Ministério Público exerce papel essencial no acompanhamento dos programas de apadrinhamento afetivo de crianças e adolescentes em acolhimento institucional, atuando como fiscal da lei e garantidor da proteção integral prevista na Constituição Federal e no Estatuto da Criança e do Adolescente”, comentou Cinara.
Evento de lançamento
Como parte da divulgação do programa, a instituição realizará, no dia 8 de abril, a partir das 17h30min, uma edição do Casa Talks dedicada ao tema “Apadrinhamento Afetivo”. O encontro contará com a participação da promotora Cinara Braga, da coordenadora Eduarda Roos e do presidente da ELO Organização de Apoio à Adoção e Assistência Social, Peterson Rodrigues.


