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Saúde

Esgotadas: relatório inédito mostra o que está adoecendo as mulheres

Por Marina Klein Telles 01/09/2023
Por Marina Klein Telles

A pandemia de Covid-19 foi uma das piores crises já enfrentadas no século e suas consequências ainda ressoam no cotidiano, mesmo após o fim da emergência sanitária. Para as mulheres, entretanto, que já chegaram em 2020 adoecidas, o problema se apresentou ainda mais profundo. É o que mostra o relatório Esgotadas: o empobrecimento, a sobrecarga de cuidado e o sofrimento psíquico das mulheres, desenvolvido pela ONG Think Olga – que indica que 45% das mulheres brasileiras possuem hoje um diagnóstico de ansiedade, depressão, ou outros tipos de transtornos.

A pesquisa inédita foi realizada com 1.078 mulheres, entre 18 e 65 anos, em todos os estados do país, entre 12 e 26 de maio de 2023. “A saúde mental não deve ser uma discussão limitada por fatores biológicos. Claro que existe influência deles, mas o que o relatório nos mostra é que a perspectiva de gênero e suas interseccionalidades afetam diretamente as relações sociais e, portanto, impactam diretamente no psicológico das mulheres”, explica Maíra Liguori, diretora da Think Olga

Com a proposta de entender as estruturas que impõem o sofrimento das brasileiras na atualidade, o relatório reúne dados que demonstram desde a sobrecarga de trabalho e insegurança financeira até o esgotamento mental e físico causado pela economia do cuidado, que enquadra todas as atividades relacionadas aos cuidados com a casa e com produção e manutenção da vida.

Entre as principais conclusões do relatório

Esgotadas, portanto, adoecidas – 45% das entrevistadas foram diagnosticadas com algum transtorno mental. A ansiedade, o estresse e a irritabilidade fazem parte do cotidiano de pelo menos 4 em cada 10 mulheres. As pressões estéticas e as violências de gênero também cobram seu preço: entre as entrevistadas mais jovens, 26% declararam que os padrões de beleza impostos impactam negativamente na saúde mental. Já o medo de sofrer violência é citado por 16% das respondentes;

Insatisfeitas – A situação financeira e capacidade de conciliar os diferentes aspectos da vida têm as menores notas de satisfação entre as entrevistadas. Em uma classificação de 1 à 10, a vida financeira recebeu a classificação 1.4, já para a capacidade de conciliação das diferentes áreas da vida, a nota ficou em 2.2.

Maior vulnerabilidade e maior responsabilidade – As mulheres são as únicas ou principais provedoras em 38% dos lares. Essas mulheres são, em sua maior parte, negras, da classe D e E e com mais de 55 anos de idade. Somente 11% das entrevistadas dizem não contribuir financeiramente para a manutenção de suas famílias;

Mulheres dedicam o dobro de tempo nas tarefas de cuidado – Segundo dados da Pesquisa Nacional por amostra de domicílio realizada em 2022, as mulheres gastam 21,4 horas da semana em tarefas domésticas e do cuidado, os homens usam 11 horas. Já o relatório Esgotadas mostrou que a sobrecarga de trabalho doméstico e a jornada excessiva de trabalho foi a segunda causa de descontentamento mais apontada – atrás apenas de preocupações financeiras. O trabalho de cuidado sobrecarrega principalmente as mulheres de 36 a 55 anos (57% cuidam de alguém).

Responsabilidade demais adoece – 86% das mulheres consideram ter muita carga de responsabilidades. A insatisfação entre mães solo e cuidadoras é muito superior em relação àquelas que não possuem esse tipo de responsabilidade. As cuidadoras e mães-solo também são as mais sobrecarregadas com as tarefas domésticas e de cuidado, com 51% das mães e 49% das cuidadoras apontando a situação financeira restrita como o maior impacto na saúde mental. Isso quer dizer que a sobrecarga de cuidado também é um fator de empobrecimento das mulheres ou “feminização da pobreza”.

Diante da realidade, a Think Olga também traz pontos de partida para que a sociedade civil, o setor privado e o poder público possam começar a enxergar e a atuar sobre esses problemas. Para Nana Lima, co-diretora da Think Olga, “é necessário que comecemos a entender o impacto do trabalho de cuidado e suas consequências, além de partirmos de discussões que desestigmatizem tabus sobre a saúde mental. É essencial incentivar ações do setor privado, da sociedade civil e, principalmente, do setor público para um futuro viável para as mulheres”, avalia.

Foto: Divulgação | Fonte: Assessoria
01/09/2023 0 Comentários 1,2K Visualizações
Variedades

Pesquisa aponta sobrecarga de trabalho durante a pandemia

Por Gabrielle Pacheco 13/08/2020
Por Gabrielle Pacheco

A pandemia do novo coronavírus modificou a forma de trabalhar de muitos brasileiros. Para dar visibilidade às vivências e sentimentos relacionados ao trabalho neste período, uma pesquisa-intervenção mapeia o impacto da Covid-19 na rotina dos trabalhadores. Estão à frente do estudo os professores Carmem Regina Giongo (Universidade Feevale), Karine Vanessa Perez (Universidade de Santa Cruz do Sul – Unisc) e Bruno Chapadeiro (Universidade Federal de São Paulo – Unifesp).

Até o momento, a pesquisa conta com cerca de 280 relatos de empregados, que estão desenvolvendo suas atividades presenciais ou remotas, e de desempregados. Deste universo, mais de mais de 81% são do sexo feminino e 18% masculino, sendo que 47,8% disseram que trabalham em casa durante a pandemia e 21,9% atuam na linha de frente e com contato com o público. As áreas de atuação com mais participação no estudo são saúde e educação, correspondente a 30,2% e 29,5% dos participantes.

De acordo com a professora Carmem Giongo, os resultados preliminares apontam para uma sobrecarga de trabalho, no qual há menos interação com os colegas e tempo para cuidar da saúde, e realização de mais atividades domésticas. “Eles estão trabalhando mais, realizando menos intervalos e mais atividades fora do horário de expediente, cumprindo as mesmas metas e prazo”, diz a professora da Feevale. “Recebem o mesmo suporte das pessoas que já recebiam antes, dormem a mesma quantidade de horas, comem mais e consomem a mesma quantidade de álcool e de outras drogas. Sentem-se mais cansados, tristes, preocupados e têm mais dificuldades de planejar o futuro”, complementa.

O grupo ainda está aceitando a participação de voluntários, maiores de 18 anos, que queiram contribuir com os estudos. Para isso, eles devem responder a um questionário no Instagram @projethoscovid19. Os participantes podem relatar suas vivências e sentimentos por meio de áudios, textos ou fotografias, que podem ser enviados aos pesquisadores pelo e-mail projethoscovid@gmail.com ou WhatsApp (51) 98138-1752.

O encaminhamento dessas informações está condicionado, no entanto, ao preenchimento do formulário. A identidade dos participantes não será revelada e os resultados da pesquisa poderão ser publicados em livros, mídias sociais, revistas científicas e congressos.

Foto: Divulgação | Fonte: Assessoria
13/08/2020 0 Comentários 546 Visualizações
Variedades

Quiz conscientiza sobre o Dia de Sobrecarga da Terra

Por Gabrielle Pacheco 30/07/2019
Por Gabrielle Pacheco

A Terra entrou no vermelho. A expressão, tão comum quando pensamos no orçamento doméstico, se justifica pelo seu simbolismo. A partir da última segunda-feira (29) tudo o que consumirmos de recursos naturais do planeta já ultrapassou a capacidade da natureza em regenerar esses recursos.

Para mostrar o papel individual de cada um nesse problema, a Rede Brasil do Pacto Global da ONU, do qual a Comusa é signatária, elaborou um quiz interativo, com o apoio da consultoria ambiental WayCarbon. O teste analisa a Pegada de Carbono individual e tem sido divulgado pela Comusa.

O Dia da Sobrecarga da Terra é calculado desde 1986. Nesse ano ele chegou dois meses antes de 20 anos atrás e a cada ano se antecipa no calendário. Isso significa que a humanidade consumiu todos os recursos naturais – como água, terra e ar limpo – que o Planeta Terra oferece, segundo um cálculo da organização não governamental (ONG) Global Footprint Network.

“Hoje a humanidade utiliza os recursos ecológicos 1,75 vez mais rápido do que a capacidade de regeneração dos ecossistemas. Isso é grave e a responsabilidade é de cada um de nós”, lembra o diretor-geral da Comusa, Márcio Lüders.

Teste

A Pegada de Carbono, medida no teste divulgado pela Comusa, é um dos componentes da Pegada Ecológica, que considera ainda os hectares necessários para sustentar o consumo e o estilo de vida de cada pessoa. “Nossa intenção é sensibilizar os indivíduos para que estes mobilizem suas empresas e organizações sobre a urgência de olhar para questões relacionadas ao meio ambiente e o clima. O teste está disponível nas redes sociais da Comusa”, explica Lüders.

A Rede Brasil do Pacto Global da ONU, da qual a Comusa é integrante, tem uma frente de ação contra a mudança do clima, a #Action4ClimateBrazil. O objetivo da ação, e da autarquia, é contribuir para que a temperatura da terra não ultrapasse 1,5ºC acima dos níveis pré-industriais. O teste está disponível no site do Pacto Global.

Foto: Divulgação | Fonte: Assessoria
30/07/2019 0 Comentários 1,4K Visualizações

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