Uma intervenção artística promovida pelo Museu de História Julio de Castilhos está sendo realizada nesta quarta-feira (11), das 10h às 17h, na escadaria do Monumento a Julio de Castilhos, na Praça da Matriz, no Centro Histórico de Porto Alegre. Intitulada “História que Sangra – Do documento à presença/ausência”, a ação transforma o espaço em um memorial temporário dedicado a mulheres vítimas de feminicídio no Rio Grande do Sul e integra a programação do Mês da Mulher.
A iniciativa é organizada pelo museu, instituição vinculada à Secretaria da Cultura do estado, e busca chamar atenção para o crescimento dos casos de feminicídio no Rio Grande do Sul, além de promover reflexão sobre memória e violência contra mulheres.
Memorial temporário
No centro da escadaria serão instaladas 80 mãos em gesso, representando as 80 mulheres vítimas de feminicídio registradas no estado em 2025. Ao lado delas, mãos pretas simbolizarão as mulheres assassinadas em 2026 até a data da montagem da intervenção.
A instalação foi concebida por servidoras e estagiárias do Museu de História Julio de Castilhos e utiliza moldes de luvas cirúrgicas. O material remete tanto ao cuidado quanto à investigação, em referência à preservação da memória e à dimensão de violência presente nos casos.
Segundo a museóloga e coordenadora da ação, Doris Couto, a proposta busca relacionar memória histórica e acontecimentos contemporâneos. “O museu preserva memórias. Quando mulheres são assassinadas, o que se perde não é apenas uma vida – é uma história que deixa de existir. Diante disso, silenciar também seria uma forma de apagamento”, afirma Doris.
Fitas com desejos de futuro
A intervenção também apresentará fitas com desejos de futuro escritos por mulheres que visitaram o museu entre 2022 e 2023 durante atividades culturais da instituição. Entre as palavras registradas estão “respeito”, “igualdade” e “liberdade”.
Segundo os organizadores, a presença desses registros busca estabelecer um contraponto entre histórias interrompidas pela violência e expectativas de futuro manifestadas pelas visitantes.
Contexto de políticas públicas
A ação ocorre em um momento de discussão sobre políticas públicas relacionadas à proteção das mulheres no Estado. Na terça-feira (10), no Palácio Piratini, o governador Eduardo Leite (PSD) lançou o Programa Estadual de Proteção e Promoção dos Direitos das Mulheres.
O programa reúne ações voltadas ao fortalecimento da rede de proteção, prevenção da violência e promoção da autonomia feminina no Rio Grande do Sul. A iniciativa prevê investimento de R$ 71 milhões em medidas organizadas em quatro eixos: governança, acolhimento, capacitação e desenvolvimento, e enfrentamento à violência.
A intervenção ocupará o espaço da escadaria apenas durante o período da atividade. De acordo com os organizadores, todos os elementos utilizados são removíveis e serão instalados sem perfurações ou fixações na estrutura do patrimônio histórico.
Mesmo com o museu temporariamente fechado para restauro, a instituição afirma que ações externas buscam manter a participação do Museu de História Julio de Castilhos em debates públicos relacionados à memória, história e questões sociais contemporâneas.
Serviço
- O quê: intervenção artística “História que Sangra – Do documento à presença/ausência”, do Museu de História Julio de Castilhos
- Quando: quarta-feira, 11 de março, das 10h às 17h
- Onde: escadaria do Monumento a Julio de Castilhos, Praça da Matriz, Centro Histórico de Porto Alegre

