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Microfóssil no Sergipe

Ensino

Aluna da Unisinos faz descoberta rara na micropaleontologia

Por Marina Klein Telles 17/05/2023
Por Marina Klein Telles

Uma aluna do curso de graduação em Geologia da Unisinos descobriu um novo gênero de microcrinóide, espécie que é parente dos atuais lírios-do-mar, mas em miniatura. O achado pode não chamar atenção da população em geral, mas é um fato marcante para a micropaleontologia. Estima-se que o Sergipecrinus reticulatus tenha vivido há cerca de 114 a 112 milhões de anos. A nova espécie recebeu esse nome por ter sido encontrada em uma rocha vinda do estado de Sergipe e ser a primeira deste gênero biológico.

Os microcrinóides do tipo Roveacrinidae são originários do período Albiano (113 milhões de anos atrás). O Sergipecrinus data do período anterior, o Aptiano – de 125 até cerca de 113 milhões de anos –, mostrando que os Roveacrinidae são mais antigos do que se esperava.

A estudante da Graduação em Geologia, Bruna Poatskievick, de 27 anos, também triadora do itt Oceaneon, descobriu o fóssil durante a triagem – processo de separação dos microfósseis do restante do sedimento. Feito de forma manual, com um pincel, o método é feito com muita delicadeza, para não danificar nem perder o fóssil. O achado foi publicado no volume 145 da revista Cretaceous Research, especializada em pesquisas sobre o período Cretáceo.

Lírios-do-mar são crinóides e pertencem à classe Crinoidea do filo Echinodermata. Exclusivamente marinhos, esses animais podem viver em diversas profundidades nos oceanos de todo o planeta. Embora exista, no registro geológico, uma grande biodiversidade neste grupo, hoje, apenas algumas centenas de espécies são conhecidas.

Ao encontrar o Sergipecrinus, Bruna relata que, imediatamente, o microfóssil chamou a atenção pelo formato de estrela. “Esse fóssil contém muitas partes que podem ser desarticuladas – quando isso acontece, ele pode se perder e quebrar. Para entender, uma das pecinhas corresponde a um indivíduo – é como se encontrássemos várias ossadas humanas com crânios, assim, saberíamos que cada um corresponde a um indivíduo diferente. Dei a sorte de encontrá-los em uma preservação muito boa e de conseguir recuperar muitos indivíduos iguais. Assim, conseguimos classificar um novo gênero e espécie”, destaca a estudante.

O animal foi encontrado na Bacia de Sergipe-Alagoas, pioneira na produção de petróleo no Brasil. “A bioestratigrafia é um método de datação de rochas a partir dos microfósseis encontrados nelas – e isso contribui para identificar as idades das camadas de petróleo do ponto de vista geológico, uma vez que cada microfóssil existe em um período específico. No momento da perfuração de poços, isso faz toda a diferença porque, como o maquinário é muito caro, quanto mais rápido for o processo, melhor, e saber em qual idade geológica estamos é fundamental”, destaca Bruna.

Para identificar e nomear o bichinho, a estudante contou com o auxílio de Andy Gale, professor britânico de Geologia da Universidade de Portsmouth. Para acessar o artigo completo, clique neste link.

Foto: Divulgação | Fonte: Assessoria
17/05/2023 0 Comentários 772 Visualizações

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