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Business

Concorrência desleal com plataformas impacta na indústria de calçados

Por Marina Klein Telles 09/11/2023
Por Marina Klein Telles

A concorrência desleal com plataformas internacionais de e-commerce, que desde agosto estão isentas de impostos de importação para remessas de até US$ 50, vem impactando a indústria calçadista nacional. A avaliação é da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), que divulgou os dados relativos à produção, consumo aparente e emprego no setor.

Dados elaborados pela entidade apontam uma distorção importante, de crescimento no consumo aparente e queda na produção de calçados. Entre janeiro e setembro, o setor produziu 618,5 milhões de pares, 1,6% menos do que no acumulado do ano passado. Já o consumo aparente, no mesmo período e no mesmo comparativo, cresceu 1,9%, para 550,9 milhões de pares. Como consequência, na medida em que o consumo aparente apresenta crescimento superior à produção, infere-se que as importações estão sendo o vetor de incremento do consumo, em detrimento da produção local.

Os reflexos da concorrência injusta em favor dos produtos comercializados pelos marketplaces, já se apresentam no estoque de emprego do setor. Dados da Abicalçados apontam que a indústria criou apenas 391 empregos em setembro e tem saldo negativo de 333 postos no acumulado de 2023. No mesmo mês do ano anterior, o setor havia criado mais de 4 mil postos de trabalho. Excetuando-se o ano de 2020, que reflete os efeitos da pandemia da Covid-19, foi a pior geração de empregos, no período, de toda a série histórica, iniciada nos anos 2000. Atualmente, a atividade emprega, diretamente, 296 mil pessoas, 6,4% menos do que no mesmo ínterim de 2022.

Alerta

O presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, ressalta que os números mostram o resultado de uma situação que vem sendo levada às autoridades desde agosto, quando entrou em vigor a Portaria MF nº 612/2023, que isentou do pagamento de impostos remessas de plataformas internacionais de e-commerce para pessoas físicas no valor de até US$ 50. “Os dados apontam que, apesar do crescimento do consumo, a indústria nacional vem perdendo tração. Estamos perdendo mercado para produtos que estão entrando no Brasil sem qualquer tipo de tributação. É uma concorrência desleal, pois pagamos impostos em cascata, e que está destruindo não somente a indústria nacional de calçados, mas os empregos por ela gerados”, alerta o executivo.

Recente levantamento realizado pela Inteligência de Mercado da Abicalçados aponta que a isenção coloca em risco imediato mais de 30 mil postos de trabalho na indústria calçadista brasileira. O estudo levou em consideração apenas a concorrência contra as duas maiores plataformas internacionais de e-commerce atuantes no Brasil, que faturaram cerca de R$ 2 bilhões com o segmento em 2022, 20% do valor total do varejo on-line de calçados no Brasil. O levantamento da entidade estimou que a cada R$ 1 bilhão que a indústria calçadista nacional deixa de produzir – pela concorrência desleal imposta pelas plataformas – o setor deixa de gerar 16,5 mil postos de trabalho de forma direta e indireta.

Conscientização

Segundo o dirigente, é preciso conscientizar o Governo e também a população que o ganho imediato, de comprar um produto mais barato nessas plataformas, pode ceifar empregos. “Além de alimentar a concorrência desleal, desprovida do mínimo de isonomia tributária e colocando em risco o sustento de milhares de famílias brasileiras, o consumidor que compra esses calçados está apoiando países que, em sua maioria, não respeitam os direitos humanos e os mais triviais conceitos de sustentabilidade”, comenta Ferreira, acrescentando que as três principais origens das importações de calçados – China, Vietnã e Indonésia – ratificaram apenas 20 convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT), enquanto o Brasil ratificou uma centena. “Precisa ficar claro, também, que os países asiáticos em questão não ratificaram convenções que possuem impacto direto em setores intensivos em mão-de-obra. Nem mesmo a convenção que impõe salário mínimo para os trabalhadores foi ratificada”, conclui.

Foto: Divulgação | Fonte: Assessoria
09/11/2023 0 Comentários 394 Visualizações
Business

Fecomércio-RS defende concorrência leal entre comércio nacional e estrangeiro

Por Marcel Vogt 30/08/2023
Por Marcel Vogt

A Fecomércio-RS enviou para a bancada gaúcha em Brasília sua manifestação em defesa de melhores condições de competição entre o comércio estrangeiro e o nacional. A entidade argumenta que a diferença na cobrança de impostos resulta em uma concorrência desleal em relação aos sites internacionais. De acordo com estudo realizado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o impacto das compras internacionais pode chegar a mais de 13% do faturamento anual do varejo no Brasil, visto que 52,4% do faturamento do varejo é de itens de até 50 dólares, não taxados atualmente. Dessa forma, cerca de 1,5 milhão de postos de trabalho podem ser afetados no setor.

 

“Esses percentuais explicitam a dimensão do problema. Precisamos, urgentemente, estabelecer um equilíbrio com maior isonomia nas condições de concorrência. Como está é desleal e pressiona os segmentos do comércio, ampliando a informalidade e, em situações mais críticas, levando ao fechamento de empresas e destruição de postos de trabalho”, defende o presidente da Fecomércio-RS, Luiz Carlos Bohn. 

 

A Federação avalia, ainda, que a discrepância da tributação reduz de forma significativa as vendas, especialmente, dos segmentos com maior presença nos meios digitais, como vestuário, cosméticos e eletroeletrônicos. “Esperamos contar com o apoio dos deputados federais e senadores gaúchos para mobilizar o governo a adotar medidas que estabeleçam melhores condições de competição. Lutamos para que os empresários tenham as mesmas condições do comércio internacional”, afirma Bohn. 

Foto: Divulgação | Fonte: Assessoria
30/08/2023 0 Comentários 402 Visualizações

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