A feira peruana Expo Detalles, ocorrida em Lima entre os dias 10 e 12 de agosto, deve gerar US$ 4,6 milhões para empresas brasileiras de componentes para calçados. O valor está em relatório gerado pela Associação Brasileira das Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos (Assintecal), que promoveu a participação por meio do By Brasil Components, Machinery and Chemicals, programa de apoio às exportações do setor mantido em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil).
Segundo o gestor de Mercado Internacional da Assintecal, Luiz Ribas Júnior, as 19 empresas participantes do projeto venderam, in loco, o equivalente a US$ 740 mil. “Os negócios ocorreram, mas as expectativas de vendas que ficaram alinhavadas no evento chamou muita a atenção. Demonstra que o mercado, principalmente o latino-americano, está com uma demanda muito forte por produtos brasileiros, especialmente diante do enfraquecimento da China como player no setor”, comenta Luiz, ressaltando que os fretes da Ásia estão elevados, o que faz com que os compradores da América Latina busquem fornecedores mais próximos geograficamente.
Para ilustrar o crescimento da feira peruana para brasileiros, Ribas Júnior resgata os valores gerados na última participação verde-amarela, ainda antes da pandemia, em 2019. Naquele ano, segundo ele, foram comercializados, in loco, US$ 270 mil, e as expectativas de negócios alinhavados ficaram em US$ 1,6 milhão. “Em 2022, o crescimento em negócios foi de 274% em vendas imediatas e de 287% em vendas que ficaram alinhavadas durante o evento”, comemora o gestor.
A participação na feira peruana faz parte do projeto MPE Exportadora, que em parceria com o Sebrae, através da ação Integra Moda, prevê consultorias individuais para exportações, nas quais as participantes têm acesso a estudos de mercados potenciais, técnicas de precificação, análise de produtos, suporte para invoices e processos burocráticos em geral, culminando na participação em algumas das principais mostras do setor na América Latina. Participaram da Expo Detalles as empresas Gradus, Injepol, Gelprene, Free Saltos, Usicon, Miroeva, Monato, Difer, Wiva Bordados, Usitec, Alyni’s, Palagi, Polly Química, Compofran, Sud Leather, Maquetec, Orisol, Formello e TNS.
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A partir da retomada presencial, Paulina ressalta que houve um incremento nas negociações, em especial para países da Europa e para os Estados Unidos. “As exportações da Bottero, que absorvem uma fatia de 15% da nossa produção (de 15 mil pares diários), vêm sendo fundamentais para a recuperação dos negócios pós-pandemia, em especial no mercado internacional”, avalia.
O presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, destaca que a demanda por produtos para grandes marcas do varejo internacional, especialmente dos Estados Unidos, tem sido fundamental para a retomada das exportações de calçados brasileiros. “É a retomada de um momento importante e histórico da indústria brasileira. Até meados dos anos 2000, quando a China despontou como o mais importante fornecedor de calçados do mundo, o Brasil era um grande exportador de private label, especialmente para os Estados Unidos, o nosso histórico principal destino no exterior”, conta o executivo, ressaltando que naquela época a demanda norte-americana migrou para a Ásia. Após um hiato de quase duas décadas, a procura de compradores dos Estados Unidos por novos fornecedores de calçados, alternativos aos asiáticos, tem alterado a “regra do jogo”.


A gerente de Negócios Internacionais do grupo, Mariana Martins, conta que as exportações via private label respondem por mais de 70% dos negócios da companhia. “Hoje temos clientes, nessa modalidade, em países da América Latina e nos Estados Unidos, onde atuamos em parceria com marcas internacionais reconhecidas no mercado da moda”, conta. Segundo ela, a empresa realiza um acompanhamento contínuo dos parceiros, em especial diante dos diferentes calendários e necessidades.