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alimentos biofortificados

Variedades

Horta comunitária leva alimentos biofortificados a 6 mil pessoas no RS

Por Stephany Foscarini 17/11/2021
Por Stephany Foscarini

Os alimentos biofortificados têm surgido como alternativa viável para combater a desnutrição e a fome oculta no Rio Grande do Sul. Por isso, foi criado o projeto Cooperar e Crescer, com o objetivo de produzir legumes, verduras e hortaliças com até três vezes mais nutrientes. A iniciativa da escola agrícola Nossa Senhora da Conceição, de Cachoeira do Sul, com a agtech ConnectFarm, o projeto Mesa Brasil, do SESC, e a rede Biofort, da Embrapa, beneficiará mais de seis mil pessoas em situação de vulnerabilidade social de 31 instituições da região, além de reforçar a merenda escolar dos 150 alunos da instituição.

“A parceria com a ConnectFarm é uma forma de ampliarmos o diálogo com a comunidade, aprimorarmos ainda mais o aprendizado, inserindo novas tecnologias, e também estimularmos a solidariedade”, afirma a diretora da escola, Fátima Lamb.

Os alimentos são produzidos na horta comunitária da escola, sob os cuidados dos estudantes, que fazem o cultivo, controle de pragas e adubação. A ConnectFarm fornece inteligência de dados e compartilha conhecimentos para melhor produtividade e manejo sustentável do solo. As mudas de hortaliças são custeadas pela agtech enquanto alimentos como milho, feijão e mandioca são doados pela rede Biofort, da Embrapa. Ela acolhe projetos para diminuir a desnutrição e garantir maior segurança alimentar com o aumento do ferro, zinco e vitamina A – nutrientes importantes para a resistência do organismo e o desenvolvimento intelectual – na dieta da população mais carente.

A biofortificação consiste no melhoramento genético convencional, ou seja, por meio de seleção e cruzamento de plantas da mesma espécie, gerando cultivares mais nutritivos, sem ações transgênicas”.

“A biofortificação consiste no melhoramento genético convencional, ou seja, por meio de seleção e cruzamento de plantas da mesma espécie, gerando cultivares mais nutritivos, sem ações transgênicas”, explica o diretor da ConnectFarm, Wellington Hoppe.

No início do projeto, em abril deste ano, a horta tinha 0,3 hectare plantado, o que atendia a demanda dos cerca de 150 alunos da escola técnica agrícola. Com a entrada da ConnectFarm, que além do suporte técnico realiza aportes financeiros mensais, a área de plantio aumentou para 6 hectares e a capacidade de produção triplicou. Com isso, 70% do cultivo agora é destinado ao Mesa Brasil, coordenado pelo SESC de Cachoeira do Sul. O projeto, por sua vez, repassa os alimentos arrecadados a 31 instituições da região que atendem a 6 mil pessoas em situação de vulnerabilidade social, agravada pela pandemia.

“O número de atendimentos aumentou muito, então parcerias como estas são significativas pela demanda e pelos alimentos com valor nutritivo adequado para essa população,” destaca Débora Carvalho Martins, nutricionista do projeto Mesa Brasil.

Primeiras colheitas geram resultado

As primeiras colheitas do projeto foram realizadas nos últimos dois meses e registraram 378,5 quilos doados ao Mesa Brasil. Alimentos como aipim, rabanete, couve, alface, repolho e mostarda estão entre as primeiras doações. Além disso, mais de 2 mil mudas de hortaliças foram transplantadas para outras comunidades, para multiplicar o consumo de alimentos biofortificados. Com a iniciativa, escola e ConnectFarm pretendem expandir os tipos de cultivares até o fim do ano e aumentar ainda mais a área plantada.

“O cruzamento genético natural nos permitiu desenvolver batata doce, por exemplo, com 10 vezes mais nutrientes. Assim, conseguimos combater a fome oculta, que é a fome de quem se alimenta, mas se alimenta mal. Além disso, internamente, vemos nosso time muito empolgado em participar de projetos como esse, o que é o primeiro grande ganho. Atender a população com a qual estamos envolvidos diretamente todos os dias é de muito valor. Fazer o bem faz bem,” completa Hoppe, que coordena o projeto.

Sobre a ConnectFarm

A ConnectFarm vem se destacando no mercado brasileiro e internacional. São cerca de 496 produtores em carteira localizados no Rio Grande do Sul e em mais seis estados. A agtech agora se prepara para ampliar os negócios, com sedes nos EUA e no Paraguai. Neste ano, a empresa gaúcha projeta chegar a um crescimento de 400%.

A startup ganhou projeção no mercado nacional ao vencer o Desafio Nacional de Máxima Produtividade do Comitê Estratégico Soja Brasil (CESB), na categoria “Irrigado”, em 2020. Uma propriedade em Boa Vista das Missões (RS) alcançou 111,9 sacas de soja por hectare — enquanto a média de produção no Brasil é de 54,5 sacas por hectare.

Além disso, a ConnectFarm trabalha em projetos que aliam produtividade à inovação, sustentabilidade e impacto social. Neste sentido, a startup integra o Intensive Connection, programa de aceleração promovido pelo hub AgTech Garage, promove a inclusão digital de agricultores familiares e pequenos produtores no projeto 5K e, ainda, é consultora oficial de projetos sustentáveis como Carbono Bayer e Reverte, da Syngenta.

Foto: Vanda Duarte/Divulgação | Fonte: Assessoria
17/11/2021 0 Comentários 536 Visualizações

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