OSPA dá início à Série Igrejas 2026 com apresentação gratuita na Igreja Evangélica Luterana Cristo

Por Marina Klein Telles

A Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (OSPA) — fundação vinculada à Secretaria de Estado da Cultura (Sedac-RS) — retoma a Série Igrejas com uma apresentação que destaca o legado de Wolfgang Amadeus Mozart. Com regência de Rossini Parucci e solos do quarteto de músicos da OSPA Érico Marques (oboé), Diego Grendene (clarinete), Altair Venâncio (fagote) e Nadabe Tomás (trompa), Herança Mozartiana ocorre na quinta-feira (2/4), às 19h30, na Igreja Evangélica Luterana Cristo, no bairro São Geraldo. A apresentação tem entrada franca, por ordem de chegada, com doação opcional de um quilo de alimento não perecível. O concerto também terá transmissão ao vivo pelo canal da OSPA no YouTube.

A Ouverture à grand orchestre, SN. 155, do compositor austríaco Sigismund von Neukomm (1778-1858), abre a apresentação e introduz o público aos elementos do classicismo. Discípulo de Joseph Haydn (1732-1809), Neukomm viveu no Brasil entre 1816 e 1821, período no qual a versão final da música foi publicada, assim como as quatro outras aberturas escritas pelo autor.

A Sinfonia concertante em Mi bemol Maior, K. 297b, de Mozart (1756–1791), é a próxima no programa, e traz os solistas ao palco. De acordo com o clarinetista Diego Grendene, a obra foi composta em 1778 para um grupo de quatro solistas de sopros, sendo três deles conhecidos do compositor. Porém, pouco antes da estreia, foi substituída por outra obra, e Mozart não recuperou as partituras originais que havia enviado para o concerto. Décadas depois, em 1869, manuscritos sem assinatura da obra, com a flauta da versão original substituída pelo clarinete, foram encontrados junto a outros documentos e partituras de Mozart. Apesar dos questionamentos a respeito da autenticidade, a obra segue muito apreciada: “O fato de nenhum manuscrito do compositor ter chegado até nós talvez torne impossível termos certeza algum dia. A audição da obra, entretanto, me parece fornecer um forte argumento a favor da autoria de Mozart”, opina Diego.

O concerto encerra com a Sinfonietta em Si bemol Maior Nº 1 A115 (À memória de Mozart), do brasileiro Heitor Villa-Lobos (1887-1959), onde referências a Mozart aparecem no tema inicial do primeiro movimento, que retorna ao longo da música. “Mais do que ruptura, a Sinfonietta mostra Villa-Lobos como continuidade crítica, construindo uma ponte entre o legado clássico e uma linguagem brasileira emergente, reafirmando o diálogo entre tradição e invenção que percorre todo o concerto”, explica o regente Rossini Parucci.

Regente e solistas

A apresentação traz um quarteto nos solos, composto pelos músicos da OSPA Érico Marques, Diego Grendene, Altair Venâncio e Nadabe Tomás. Goiano, o oboísta Érico iniciou sua formação musical aos 8 anos, e aos 16 estreou como solista à frente da Orquestra Sinfônica Jovem de Goiás. Estudou na Academia de Música da OSESP e realizou intercâmbio na Royal Academy of Music, no Reino Unido. O clarinetista Diego é graduado pela UFRGS e mestre em Música pela UFRJ. Estudou com Walter Boeykens na Bélgica, onde integrou o Quarteto de Clarinetes Aliénor. Ganhou o prêmio Açorianos com o CD O Clarinete na Obra de Bruno Kiefer, e além de integrar a OSPA, atua como solista, em grupos de câmara e gravações. Também foi diretor da Escola de Música da OSPA até 2025, e segue como docente. O fagotista Altair é doutor pela Université de Montréal, e participou de orquestras na Áustria, Suíça e França. O trompista Nadabe completa o quarteto. Paulista licenciado em Música, com atuação como solista à frente da Orquestra Filarmônica de Montevidéu, OSPA e Orquestra Filarmônica da USP-RP, também é professor da Orquestra Jovem do RS e integra o Quinteto Som 5 e o Quinteto Porto Alegre.

A regência é do maestro paranaense Rossini Parucci, que iniciou seus estudos em composição e regência aos 14 anos. Formado na Arizona State University, foi diretor artístico do Madrigal de Londrina. Atualmente, é diretor artístico e regente titular da Orquestra Sinfônica da Universidade Estadual de Londrina e contrabaixista e regente convidado da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais.

Foto: Divulgação | Fonte: Assessoria
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