A Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (Ospa), uma fundação vinculada à Secretaria da Cultura (Sedac), apresentou ao público a sua programação para todo o ano. A agenda plural, que vai de pilares como Beethoven e Bach até referências da música popular, como Lupicínio Rodrigues, foi divulgada durante evento para imprensa e convidados no Complexo Cultural Casa da Ospa, na noite de terça-feira (24/2), e já está disponível no site da Ospa. Ao longo de 2026, serão mais de 40 concertos na Casa da Ospa, além de apresentações no interior do Estado, récitas de ópera, recitais de Música de Câmara, apresentações especiais e intensa atuação do Coro Sinfônico da Ospa e dos grupos da Escola de Música da Ospa. A venda de ingressos para os eventos de março, abril e maio inicia nesta quinta-feira (26/2), a partir das 14h, pelo site sympla.com.br/casadaospa. Integrantes do plano Amigo Ospa contam com pré-venda exclusiva.
Durante o lançamento da temporada, o secretário da Cultura Eduardo Loureiro elogiou o trabalho que vem sendo realizado pela Ospa e reforçou o compromisso do Estado com a Orquestra: “Nós somos muito gratos a tudo que a Ospa representa, porque a cultura, sem dúvida nenhuma, é um dos grandes pilares do nosso desenvolvimento. Não mediremos esforços para valorizar a nossa Ospa e os nossos músicos”, antecipou.
O presidente da Fundação Ospa, Gilberto Schwartsmann, aproveitou a ocasião para apresentar a nova superintendente administrativo-financeira da Ospa: a advogada e pesquisadora Márcia Santana Fernandes, doutora pela UFRGS e professora do Mestrado em Pesquisa Clínica do HCPA, pesquisadora e membro do Comitê de Bioética do Hospital de Clínicas de Porto Alegre.
Responsável pela curadoria da temporada artística, o diretor artístico Manfredo Schmiedt salientou que a programação de 2026 percorre diferentes períodos da história da música, do barroco ao contemporâneo, com obras de mais de 80 compositores de 20 países. “Em 2026, a Ospa celebra a maturidade de sua trajetória através de uma tríade estratégica: o compromisso inegociável com a excelência do grande repertório, o protagonismo da presença brasileira e a nossa crescente projeção internacional. Convidamos o público a vivenciar uma temporada onde a tradição e a inovação se encontram”, resume o diretor artístico.
Sobre a Temporada Artística 2026
A Fundação Ospa organiza a sua programação em diferentes séries de concertos: Casa da Ospa, Igrejas, Interior, POP, Música de Câmara, Ópera e Ospa Jovem. Principal vitrine da programação, a Série Casa da Ospa traz apresentações que ocorrem principalmente às sextas-feiras, às 20h, e alguns sábados e domingos, às 17h. Diversos solistas internacionais, nacionais e da própria Ospa ganham destaque nesta série, que inicia com a inédita vinda da pianista Valentina Lisitsa no Concerto de Abertura da Temporada 2026 (ingressos já esgotados). Outros convidados inéditos são o grupo de metais American Brass Quintet e o renomado Quarteto da Cidade de São Paulo. Entre os solistas da temporada, instrumentos como harpa, saxofone, trompete e percussão dividem protagonismo com os tradicionais violinos e pianos.
Regentes de mais de 14 países estarão à frente da Orquestra ao longo do ano, reforçando o intercâmbio artístico nacional e internacional. Além do trio de regentes da Ospa, formado por Manfredo Schmiedt, Arthur Barbosa e Diego Schuck Biasibetti, a programação trará maestros brasileiros como Priscila Bomfim e Cláudio Cruz regendo a Ospa tanto na Casa da Ospa como no interior do Estado. Já os maestros Anderson Alves, José María Moreno, José Soares, Michael Repper e Zoe Zeniodi permanecem na Ospa por duas semanas para reger dois concertos cada.
Vertente Popular
Por decreto estadual, 2026 marca os 400 Anos das Missões, celebrando o legado jesuíta e guarani na formação do Rio Grande do Sul. A Ospa integra oficialmente as comemorações com um espetáculo especial no dia 13 de março, unindo música sinfônica e tradição regional. O concerto contará com a participação da Família Ortaça, de Neto e Ernesto Fagundes e Shana Müller, além de outros convidados, em arranjos inéditos de Dhouglas Umabel. Segundo o secretário Eduardo Loureiro, a homenagem valoriza não apenas um “um território, mas a formação do estado do Rio Grande do Sul e de todo um legado”. “Essa combinação do sinfônico com a música regional vai ser algo muito impactante, valorizando o trabalho dos nossos quatro troncos missioneiros”, destacou o titular da pasta da Cultura no lançamento da temporada.
No cruzamento entre música de concerto e popular ainda se destacam a apresentação o concerto em homenagem a Lupicínio Rodrigues, com a participação das cantoras Andréa Cavalheiro e Glau Barros, e o espetáculo Divas do Pop Rock, que dará roupagem sinfônica a hits de Whitney Houston, Lady Gaga, Adele, Beyoncé e outras, e contará com um trio de solistas formado por Laura Dalmás, Paola Delazzeri e Rafaela Pfeifer, que, recentemente, participou no The Voice.
Grandes sinfonias e desafios
A Temporada 2026 reúne alguns dos maiores títulos da história do repertório sinfônico: a 4ª, 5ª, 6ª e 9ª Sinfonias de Ludwig van Beethoven (com a 9ª encerrando a temporada), a “Sinfonia nº 2, “Ressurreição”, de Gustav Mahler, a “Sinfonia nº 5”, de Pyotr Ilyich Tchaikovsky, a “Sinfonia nº 5”, de Dmitri Shostakovich, e as Sinfonias nº 1 e nº 2, de Johannes Brahms. Outras obras monumentais e complexas presentes na programação são “Don Quixote”, de Richard Strauss, “La Valse”, de Maurice Ravel, e “Petrouchka”, de Igor Stravinsky. Segundo Manfredo Schmiedt, a excelência técnica da Orquestra será celebrada por essas obras especialmente desafiantes e inovadoras. Um dos momentos mais aguardados será a execução de “Poema do Fogo”, de Alexander Scriabin, em diálogo com “Os Planetas”, de Gustav Holst – a apresentação contará com projeções luminosas e a presença de um “piano de cores”, criando uma experiência sinestésica inédita na Ospa.
Sob a regência do músico da Ospa e maestro Diego Schuck Biasibetti, o Coro Sinfônico da Ospa atua ao lado da Ospa em obras monumentais, com destaque para “A Paixão Segundo São João”, de Johann Sebastian Bach, e “Requiem”, de Giuseppe Verdi.
Entre as efemérides do ano, a Ospa celebra os 120 anos de Radamés Gnattali e os 150 anos de Manuel de Falla. Em meio a solistas, regentes e composições de todo o mundo, a Ospa também dá atenção especial a composições nacionais e regionais, com obras de Heitor Villa-Lobos, Edino Krieger e dos contemporâneos Catarina Domenici, Dimitri Cervo e André Mehmari.


