A participação de empreendedores gaúchos na NRF Retail’s Big Show 2026 começa a produzir desdobramentos concretos no planejamento de empresas do Estado. Para o Sebrae RS, que liderou a missão empresarial à maior feira de varejo do mundo, o momento agora é de transformar repertório em ação. No segmento especializado em dança, a Ballare Malhas já revisa processos internos com base nas discussões sobre inteligência artificial apreendidas.
Com quatro lojas – em Farroupilha, Caxias do Sul, Porto Alegre e Joinville (SC) – a Ballare atua na confecção e comercialização de roupas, calçados e acessórios para dança. Proprietária da marca, Viviane Feltrin avalia que a edição deste ano consolidou uma virada no debate sobre tecnologia no varejo. “A NRF é sempre uma oportunidade de oxigenar as ideias e observar as mudanças do mercado. Neste ano, ficou claro que a IA deixou de ser tendência futura. Ela já está incorporada à rotina de muitos negócios pelo mundo”, afirma.
Segundo a empresária, o diferencial competitivo não está mais no acesso à ferramenta, mas na capacidade de uso estratégico. Para ela, a inteligência artificial tende a se tornar base operacional do setor. “A IA está virando commodity. O que vai diferenciar as empresas é como o humano aplica essa inteligência dentro do negócio. O futuro está na convergência entre tecnologia e sensibilidade humana”.
Viviane acredita que o debate sobre substituição de mão de obra precisa ser tratado sob outra perspectiva. “A IA não substitui o humano. Mas um profissional que utiliza IA pode ocupar o espaço de quem não utiliza”, pontua. A partir dessa leitura, a empresária retornou com uma meta definida: aprofundar o uso da tecnologia para tornar a operação mais eficiente e qualificar resultados. “Quero identificar em quais momentos a inteligência artificial pode nos ajudar a melhorar desempenho e entregar mais valor ao cliente”.
Para o Sebrae RS, a maturidade na interpretação dos conteúdos apresentados na NRF é o que determina o impacto da missão. O especialista em varejo da instituição, Fabiano Zortéa, observa que o evento amplia a visão estratégica do empresário. “A feira apresenta movimentos globais, mas o ganho real acontece quando o empreendedor traduz essas referências para sua realidade e implementa mudanças consistentes no próprio negócio”, destaca.


