Realizado dentro do 53º Festival de Cinema de Gramado, o Conexões Gramado Film Market (CGFM), em seu primeiro fim de semana, recebeu representantes de órgãos federais e foi palco de anúncios relevantes para o audiovisual, como o lançamento de um edital de R$ 60 milhões para a distribuição de longas-metragens. Braço mercadológico do Festival, o Conexões chega à sua nona edição e reúne, até sábado (23/8), players, profissionais e gestores de todo o Brasil para fortalecer o ecossistema do setor. A realização é da Secretaria da Cultura (Sedac), por meio do Instituto Estadual de Cinema (Iecine), com apoio da Agência Nacional de Cinema (Ancine), vinculada ao Ministério da Cultura (MinC).
A fala de abertura do Conexões foi realizada pela diretora do Iecine, Sofia Ferreira. “É com alegria que iniciamos, com o saguão lotado, a nona edição do CGFM. É uma janela relevante, pujante, e que tem crescido. Isso é resultado dos últimos anos em que viemos trabalhando nesse sentido”, afirmou. Sofia destacou ainda a parceria da Sedac com a Gramadotur, a Ancine e outras instituições para “a realização, de forma gratuita, deste evento, destinado aos realizadores gaúchos e do Brasil inteiro que recebemos em nosso território.”
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Ainda na primeira manhã do evento, o MinC, por meio da Secretaria do Audiovisual e da Ancine, lançou um edital de R$ 60 milhões para distribuição de longas em ficção, documentário ou animação. Poderão ser inscritos filmes em fase de finalização.
A secretária do Audiovisual do MinC, Joelma Oliveira Gonzaga, comentou que um grande número de produções finalizadas não está chegando ao público adequado. “Precisamos comercializar as obras, fazê-las circular, encher as telas de cinema. O alcance nacional é um elo estratégico. Estava faltando uma política para amparar essa etapa do fazer audiovisual”, salientou, lembrando que essa se trata de uma demanda represada há vários anos.
A seletiva conta com cinco módulos de lançamentos para os títulos, com faixas de investimento de R$ 250 mil a R$ 1 milhão. As inscrições estarão abertas de 25 de agosto a 13 de outubro. Durante o CGFM, também foi realizada uma oficina para apresentar os critérios desse edital. Na solenidade de abertura, o secretário-executivo do MinC, Márcio Tavares, lembrou que essa linha de comercialização não era realizada desde 2017. “Temos feito o maior investimento da história para o audiovisual do Brasil, garantindo a retomada dos investimentos em todas as cadeias de produção do setor brasileiro”, disse, recordando que a realização do Festival de Gramado se dá por meio da Lei Rouanet.
Tavares reforçou a importância de “uma regulação de streaming que fortaleça a soberania brasileira no audiovisual”, outro tema caro ao setor no momento. O secretário-executivo também anunciou a Film Commission Nacional, prevista para março de 2026.
Soft power
O debate “Audiovisual promovendo o turismo e o soft power brasileiro” contou com a participação do diretor-presidente da Embratur, Marcelo Freixo, da presidente da Gramadotur, Rosa Helena Volk, e da coordenadora institucional do Festival Internacional de Cinema de Cartagena das Índias (Colômbia), Gisela Perez Fonseca.
A respeito do tema principal, Freixo afirmou que soft power é “o que encanta. Samba e Carnaval são soft power do Brasil. Walt Disney cria Zé Carioca inspirado no Paulo da Portela”, citando como exemplo a Rota do Samba na Portela, que passa pela casa do compositor Candeia. O dirigente complementou que esses elementos criam a imagem do país no exterior. “A responsabilidade de colocar o Brasil no mundo é a missão da Embratur”, afirmou, defendendo que uma Film Commission Nacional deve ser alinhada com uma política federal.
Gisela, por sua vez, defendeu o caráter econômico da indústria do cinema: “Além de dinheiro, audiovisual também garante soberania, dignidade“. Ela destacou a assinatura de um termo de cooperação do mais antigo festival de cinema do continente com o Rio Grande do Sul, informando que, no evento colombiano, estarão realizadores e representantes de três festivais gaúchos e das Film Commissions locais.
Film Commissions
A importância das Film Commissions para promover territórios por meio das produções foi abordada na manhã de domingo (17/8). Na mesa “Audiovisual construindo destinos”, a produtora argentina e representante da Buenos Aires Film Commission, Dolores Montaño, informou as novas ações da Rede Iberoamericana de Film Commissions (Iberofic) – que reúne instituições da Espanha, Portugal, Argentina, Rio de Janeiro e Porto Alegre – para que a rede seja ativa e fortaleça a sustentabilidade do setor, gerando “dados e informações que deem visibilidade ao impacto econômico e cultural da indústria. Também é indústria, não é só arte”.
Joana Braga, da POA Film Commission, falou sobre a REFIC, a rede nacional das Film Commissions, definindo o turismo como uma “forma de estruturar e potencializar economicamente os ativos culturais e naturais dos territórios” para se tornarem destinos a serem visitados.
Já o supervisor de Audiovisual e Economia Criativa na Gerência de Inovação da Embratur, Christiano Braga, abordou uma nova nomenclatura. “Hoje preferimos falar Turismo de Tela, alargamos o conceito, para o que provoca uma emoção que motiva o espectador a conhecer aquele lugar”, ressaltou. Ele também destacou os festivais de cinema como um ativo de promoção de destino, afirmando que Gramado foi pioneira nesse sentido.


