Cia Gente Falante comemora 35 anos de trajetória com turnê de apresentações gratuitas pela capital e região metropolitana

Por Marina Klein Telles

Grupo de teatro de bonecos que nasceu na Bahia e se consolidou no Rio Grande do Sul, a Cia Gente Falante completa 35 anos de trajetória em 2026. Para comemorar, o coletivo realiza uma turnê com 16 apresentações gratuitas, em Porto Alegre e em Gravataí, do premiado espetáculo infantojuvenil Maria Peçonha. A montagem, criada a partir do conto fantástico gaúcho assinado por André Neves, ganha técnicas mistas de teatro de formas animadas para resgatar, no palco, importantes aspectos das tradições culturais do Rio Grande do Sul.

As sessões acontecem de 7 a 10 de abril, sempre às 10h e às 15h, no Cineteatro Municipal de Gravataí; e de 14 a 17 de abril, nos mesmos horários, no Teatro do Goethe-Institut, com financiamento do Pró-Cultura RS – Secretaria da Cultura – Governo do Estado do Rio Grande do Sul e patrocínio do Grupo Bimbo. O projeto também aposta na acessibilidade, oferecendo sessões com audiodescrição e tradução para Libras nos dias 10 e 17 de abril, às 15h. Escolas e instituições sociais podem se inscrever pelo e-mail mariapeconha.espetaculo@gmail.com. Já o público em geral pode reservar lugares pelo mesmo contato ou, nos dias das apresentações, a partir de uma hora antes do início do espetáculo, diretamente nas bilheterias dos locais.

Fundada em 1991, em Salvador, pelo ator-bonequeiro Paulo Martins Fontes, a Cia Gente Falante acumula prêmios e apresentações por todo o país, além de turnês pelo exterior. Foi na região Sul que o coletivo resolveu se fixar há quase três décadas, quando seu criador desceu do Nordeste brasileiro até a ponta do país para conhecer o Festival Internacional de Teatro de Bonecos de Canela. “Há 29 anos sou gaúcho, sem esquecer minhas origens e referências. Por mais que pareça ser acidental, não foi. Foi um movimento de busca pelo aprimoramento que me guiou e que me trouxe para cá. Viver em um local onde essa linguagem é levada a requintes profissionais, num patamar que eu admirava, transformou o meu olhar de artista”, conta Fontes.

Foi no Rio Grande do Sul que o grupo se aprimorou nas diferentes técnicas. Somente em Maria Peçonha, espetáculo mais recente da trupe, que foi vencedor em sete categorias do Prêmio Tibicuera de Teatro Infantil, o grupo utiliza oito recursos diferentes: bonecos de luva francesa, boneco de vara, boneco manipulação à vista, boneco de balcão, teatro de objetos, sombras, narração e animações digitais.

A montagem conta a história de Maria, artista popular que entre agulhas, remendos de tecidos e linhas, costurou bonecas de pano e a própria vida. Mas não foi sua artesania que a fez ser admirada pelos moradores da pequena Alegrete, no Sul do Brasil, mas uma façanha inexplicável: onde ela passava, nasciam flores. Assim tornou-se Maria Flor. Até que um dia, por conta do destino, se transformou em Maria Peçonha, uma menina amarga.

O resultado é um espetáculo que traz para cena assuntos como origem, memória e relação com o meio ambiente, assim como exclusão social, prevenção ao bullying, respeito às diferenças e empatia, tudo de maneira divertida, lúdica e envolvente. “Não é uma história que somente encanta. Maria Peçonha é um rito de passagem, transformador, esteticamente surpreendente e politicamente necessário para a formação da criança”, explica Fontes, que assina a direção artística da peça, além de manipular bonecos ao lado do ator Eduardo Custódio e da atriz e narradora Maria Carolina Aquino.

Para reforçar a importância da educação ambiental e a relação entre sociedade e natureza, ao final de cada apresentação da turnê, serão distribuídos kits com sementes de árvores nativas, para as crianças levarem para as suas casas. A ideia é incentivar, de forma afetiva, o cuidado com o meio ambiente, estimulando o senso de responsabilidade e pertencimento em relação à natureza.

O projeto Maria Peçonha é apresentado pela Secretaria da Cultura, com patrocínio do Grupo Bimbo, apoio do Goethe-Institut, produção e gestão da Cardápio Cultural, realização da Cia Gente Falante – Teatro de Bonecos e financiamento do Pró-Cultura RS – Secretaria da Cultura – Governo do Estado do Rio Grande do Sul, por meio do Edital SEDAC nº 10/2025 – Produção e Fruição Cultural.

Foto: Divulgação | Fonte: Assessoria
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