O mundo se encontra em Nova Petrópolis durante o Festival Internacional de Folclore

Por Marina Klein Telles

Quando as luzes se acendem e os grupos entram em cena no Festival Internacional de Folclore, o público acompanha apresentações repletas de cores, música e tradição. O que poucos imaginam é que, por trás de cada coreografia, existe uma jornada que começa muitos meses antes e mobiliza centenas de pessoas em diferentes partes do mundo.

De 16 de julho a 2 de agosto, Nova Petrópolis volta a se transformar em um verdadeiro ponto de encontro entre culturas com a realização da 53ª edição do Festival Internacional de Folclore. Neste ano, grupos do México, Canadá, Letônia, Chile, Peru, Argentina e Equador, além de representantes de diversas regiões do Brasil, estarão reunidos na cidade para celebrar o tema “O Mundo se Encontra em Nossa Casa”.

Ao todo, mais de 2.000 bailarinos, de 43 grupos folclóricos, participarão da programação, levando ao palco tradições preservadas por gerações e reforçando o papel do festival como um dos principais espaços de intercâmbio cultural da América Latina.

Mas antes de chegar à Serra Gaúcha, existe um caminho marcado por dedicação, planejamento e superação, que resultam em meses de preparação. No Rio Grande do Norte, o Balé Popular Terras Potiguares mantém uma rotina de preparação praticamente durante todo o ano. Desde junho o grupo trabalha na adaptação do repertório que será apresentado em Nova Petrópolis. Segundo o Professor Coreógrafo, Silas Braúna, participar do Festival Internacional de Folclore exige um compromisso que vai muito além dos ensaios.  “Temos plena consciência da importância e da grandiosidade deste festival. Por isso, trabalhamos com muita dedicação, responsabilidade e respeito ao nosso folclore, buscando apresentar um espetáculo de excelência que represente com orgulho a cultura do Rio Grande do Norte e do Brasil”, disse o Professor.

A logística também representa um desafio. Ensaios precisam ser conciliados com a rotina profissional, acadêmica e pessoal dos integrantes, além da intensa agenda das festas juninas nordestinas, período em que muitos bailarinos também atuam profissionalmente. “Mesmo assim, Nova Petrópolis ocupa um lugar especial na nossa trajetória. O festival faz parte do calendário cultural do grupo desde 2014 e representa um espaço onde construímos amizades, memórias afetivas e experiências que marcaram a história do grupo”, destaca Silas.

E a outros milhares de quilômetros, no Equador, a preparação começou ainda em março. O Ballet Folclórico Asiri organizou um elenco específico para a viagem ao Brasil, em sua primeira participação no evento. Figurinos, montagem das coreografias e ensaios passaram a fazer parte da rotina dos bailarinos, sempre conciliando estudos, trabalho e compromissos familiares. Para o coordenador Bryan Paez, o maior desafio não foi artístico, mas financeiro.

Sem incentivos públicos suficientes, cada integrante precisou assumir os custos da própria viagem. Para tornar o sonho possível, o grupo organizou rifas, sorteios e diversas ações de arrecadação. “Quando fazemos uma viagem, nos unimos como uma só família. Tanto os que viajam, quanto os que ficam, contribuem para que ela seja possível, porque este elenco representa o trabalho, o esforço e o sonho de todo o Ballet Folclórico Asiri Equador.”

Para os grupos participantes, o festival representa muito mais do que um espaço para apresentações artísticas. É uma oportunidade de compartilhar identidades, conhecer outras culturas e criar laços que ultrapassam fronteiras. Esta será a quarta participação do Balé Popular Terras Potiguares no festival. Para Silas, retornar a Nova Petrópolis significa reencontrar amigos e fortalecer o compromisso com a preservação da cultura popular. “Esse festival ampliou nossa visão de mundo, promoveu intercâmbios culturais inesquecíveis e fortaleceu ainda mais nosso compromisso com a preservação e a difusão da cultura popular. Nova Petrópolis nos acolheu desde a primeira participação e conquistou o coração de todos nós”, revelou Silas.

O mesmo sentimento é compartilhado pelo grupo equatoriano. “Amamos compartilhar nossa cultura e apresentar o Equador a outros países. Cada apresentação é uma oportunidade de mostrar a riqueza das nossas tradições, da nossa música e da nossa dança, levando com muito carinho o nome do nosso país ao mundo.”

Ao reunir grupos de diferentes continentes, o Festival Internacional de Folclore reafirma sua vocação como um espaço de convivência entre povos, onde a diversidade se transforma em aprendizado, amizade e respeito.

Mais do que apresentações, o evento promove encontros que começam muito antes do palco e permanecem vivos muito depois do encerramento da programação. Histórias como as do Rio Grande do Norte e do Equador mostram que, por trás de cada traje típico e de cada coreografia, existem comunidades inteiras mobilizadas para manter vivas suas tradições e compartilhá-las com o mundo.

Entre ensaios, viagens, campanhas para arrecadação de recursos e milhares de quilômetros percorridos, Nova Petrópolis se torna, mais uma vez, a casa onde o mundo se encontra e onde diferentes culturas descobrem que a dança, a música e o folclore falam uma linguagem universal. Nesta edição, mais de 40 mil quilômetros serão percorridos pelos grupos para participarem do Festival.

Realizado pela Prefeitura de Nova Petrópolis, por meio da Secretaria Municipal de Turismo e Cultura, em parceria com a Associação dos Grupos de Danças Folclóricas Alemãs, o evento conta com apoio da IOV Brasil e financiamento do Pró-Cultura RS, através da Lei de Incentivo à Cultura do Governo do Estado do Rio Grande do Sul; patrocínio master de Dakota, Randoncorp e Sicredi Pioneira; e, ainda, o patrocínio de Banrisul, Gula Alimentos, Suibom, Padaria Petrópolis e DGT Monitoramento.

Foto: Divulgação | Fonte: Assessoria
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