Varejo deve usar o digital para potencializar o físico

Por Marina Klein Telles

A Confraria Empresarial: Novo Hamburgo que a ACI promoveu nesta segunda-feira, 13, deu uma demonstração do tamanho do desafio que o varejo físico tem pela frente diante do crescimento do online no Brasil. “Mesmo nas gerações tradicionais, o digital já é comportamento — não exceção”, afirmou o palestrante, Marco Aurélio Copetti, economista e vice-presidente de Micro e Pequena Empresa da ACI. 

Abordando o tema Entre algoritmos e vitrines: os desafios da loja física com a consolidação do comércio digital, Copetti disse que, diante do mercado em transformação, a reinvenção é estratégia competitiva para a sobrevivência do varejo físico. 

No ano passado, o faturamento do e-commerce foi de R$ 235 bilhões, crescimento de 15% em relação a 2024. No mesmo período, o varejo como um todo cresceu apenas 1,6%. Em muitos setores, mais de 50% da jornada de compra já é digital, mesmo quando a venda final ocorre na loja física. A tendência é de crescimento contínuo da participação em 2026 (projeções indicam e-commerce acima de R$ 250 bilhões).

Mudança do conceito de loja física

Para evitar a continuidade da perda de clientes e voltar a crescer, faz-se uma mudança do conceito de loja física. Se, antes, ela era ponto de venda, agora precisa transformar-se em ponto de experiência, relacionamento, confiança e retirada de produtos. “A loja deixou de ser o fim da venda. Ela virou parte da jornada”, acrescentou o palestrante.

Alguns caminhos possíveis para o pequeno varejo são a especialização (nichar), parar de tentar vender “de tudo” e focar em um público específico. “Pequeno não compete em escala — compete em foco”, argumentou Copetti. Conforme ele, o relacionamento deve ser o maior ativo do varejo físico, que precisa conhecer o cliente pelo nome e criar vínculo real a partir de um atendimento que o digital não entrega “O algoritmo escala. O relacionamento fideliza”, ponderou.

Também são opções a hibridização (físico + digital simples). “Não precisa ser um e-commerce complexo. Baste começar com WhatsApp, Instagram bem usado e catálogo simples”. Sugeriu. “Não é virar digital. É usar o digital para potencializar o físico’’, acrescentou.

Ações práticas (baixo investimento)

Presença digital mínima viável

– Instagram com produtos reais (não só fotos bonitas), preços claros, localização e Google Meu Negócio atualizado

Loja como experiência

– Demonstração de produtos, atendimento consultivo e ambiente agradável

Mudança de mentalidade

Copetti também propõe uma mudança de mentalidade do lojista. Em vez de dizer que não vende online, ele deve estar ciente de que o cliente compra online e a loja precisa estar lá. Também não deve considerar-se pequeno demais e deve buscar estar próximo o suficiente para ser relevante para o cliente. “Vender no ambiente digital é complicado, mas começar simples já diferencia”, finalizou. 

Foto: Divulgação | Fonte: Assessoria
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