Iniciativa do Sistema Fiergs esclarece pontos e alerta para riscos da redução da jornada de trabalho

Por Marina Klein Telles

O Sistema Fiergs está iniciando uma ação de esclarecimento sobre os principais pontos de projetos em tramitação no Congresso que alteram jornada e escala de trabalho. A iniciativa busca conscientizar a população sobre os possíveis impactos de eventual diminuição da carga semanal de 44 horas para 40 ou 36 horas, sem redução de salários.

Uma cartilha foi elaborada pelo Conselho de Relações do Trabalho (Contrab) com objetivo de esclarecer pontos centrais do debate, como a possibilidade já existente de redução da jornada por meio de negociação coletiva. O material será distribuído para sindicatos industriais e empresas e também está disponível online: fiergs.org.br/desenrolandoa6x1. A entidade também destaca que o fim da escala 6×1 não implica, necessariamente, diminuição da carga horária total. É possível manter jornadas de 44 horas sem esse modelo, assim como adotar a escala com menos horas semanais.

O Sistema Fiergs ressalta que eventuais mudanças devem ser conduzidas com base técnica e cautela. Segundo a entidade, se uma empresa mantém 100% do salário para uma jornada de 44 horas e passa a pagar o mesmo valor por 36 horas, o custo de mão de obra pode aumentar entre 12% e 15% de forma abrupta. Esse cenário pode afetar a produtividade e a saúde financeira das empresas, especialmente as de menor porte.

Na prática, os efeitos podem atingir tanto o setor produtivo quanto a população. Entre os riscos apontados estão aumento de preços, redução de contratações, cortes de gastos e investimentos, além da ampliação da informalidade. A possibilidade de geração de empregos, por sua vez, dependeria de um ambiente econômico aquecido e da manutenção dos níveis de produção.

A cartilha também observa que, embora a redução da jornada com manutenção de salários seja um desejo legítimo, a produtividade no Brasil ainda é considerada baixa para sustentar essa mudança. O avanço nesse sentido exigiria investimentos em tecnologia, qualificação profissional e ganhos de eficiência. Alterações abruptas, na avaliação do Sistema FIERGS, podem pressionar custos e colocar empregos em risco.

Foto: Divulgação | Fonte: Assessoria
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