ACI pede revisão do modelo de concessões rodoviárias e avaliação de alternativas com menor impacto econômico

Por Marina Klein Telles

Em documento divulgado nesta segunda-feira, 09, a Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Novo Hamburgo, Campo Bom, Estância Velha, Dois Irmãos e Ivoti (ACI-NH/CB/EV/DI/IV) manifesta posicionamento contrário ao atual modelo do Projeto de Concessão do Bloco 1 de Rodovias do Rio Grande do Sul, conforme apresentado pelo Governo do Estado.

O posicionamento é reforçado a partir do debate realizado no último 05, na sede da ACI, que reuniu deputados estaduais, empresários, representantes de entidades de classe, universidades e lideranças regionais, em um espaço plural e técnico de diálogo. “O encontro evidenciou, de forma consistente, os impactos econômicos, sociais e logísticos que o projeto, em seu formato atual, pode causar às regiões abrangidas”, afirma o presidente Robinson Klein, que assina o manifesto juntamente com o presidente da Regional de Campo Bom, Eduardo Luiz Gottlieb, e o diretor, Fauston Saraiva.

Ao longo do debate, foram levantadas preocupações comuns quanto ao aumento exponencial das tarifas de pedágio, à falta de transparência nas planilhas de custos, à ausência de obras estruturantes prioritárias e à onerosa repercussão sobre trabalhadores, estudantes, empresas e a competitividade regional.

Diante disso, a ACI, alinhada às manifestações já realizadas em sessões públicas e audiências, reafirma que:

  1. O projeto carece de transparência e aprofundamento técnico. O modelo de concessão apresentado não detalha de forma clara os critérios de composição tarifária, os investimentos previstos e os retornos esperados, limitando a análise técnica e o debate público qualificado.
  2. O impacto financeiro é desproporcional. As tarifas projetadas tendem a elevar significativamente os custos de deslocamento e logística, penalizando diretamente a população e o setor produtivo, com reflexos negativos na economia regional.
  3. As obras previstas não atendem às demandas prioritárias. O projeto não assegura a execução de intervenções consideradas essenciais para a segurança viária, fluidez do tráfego e desenvolvimento econômico das regiões impactadas.
  4. As especificidades regionais precisam ser respeitadas. As regiões abrangidas pelo Bloco 1 possuem características econômicas, sociais e logísticas distintas, que exigem um modelo mais equilibrado, justo e aderente à realidade local.
  5. Defesa de diálogo, revisão e alternativas. A ACI defende revisão do modelo de concessão e das tarifas propostas; divulgação transparente de todas as informações técnicas e financeiras; ampliação do diálogo com a sociedade, entidades e especialistas e avaliação de alternativas que reduzam o impacto econômico sobre usuários e empresas.

“A ACI reafirma seu compromisso com o desenvolvimento regional e com soluções que promovam infraestrutura de qualidade, sem comprometer a competitividade, a mobilidade e o bem-estar da população”, acrescenta Fauston Saraiva. Conforme ele, o avanço da malha rodoviária deve ocorrer com equilíbrio, responsabilidade, participação social e foco no interesse público. Por fim, a entidade convida a toda a sociedade, sociedade civil organizada, órgãos governamentais ou não, empresas, associadas ou não, comunidades, enfim, que participem ativamente sobre este debate tão importante e que impactará o RS pelos próximos trinta anos.

Foto: Divulgação | Fonte: Assessoria
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