Começou oficialmente na quinta-feira, 25 de setembro, o 3º Festival de Cinema de Canoas (FECIC). Até domingo (28), o público poderá participar, de forma gratuita, de oficinas, debates e bate-papos, além de curtir as exibições de curtas-metragens em competição, sessões especiais e longas-metragens convidados. A proposta durante estes dias é transformar Canoas em um ponto de encontro dos amantes da sétima arte.
A cerimônia de abertura aconteceu nesta noite (25), no Teatro SESC Canoas, sede do evento, e contou com a presença de organizadores, realizadores, autoridades, imprensa e convidados que puderam prestigiar uma apresentação artística de Luciano Wieser, integrante do grupo “De Pernas Para o Ar”.
“Vida longa ao Festival de Cinema de Canoas e que todos vocês que estão presentes aqui possam estar conosco nestes quatro dias de programação”, disse Alexandre Derlam, coordenador geral e curador do Festival de Cinema de Canoas
“A cultura é um direito básico de todo cidadão e cidadã. Tenho certeza que quando um evento como esse, quando o Festival de Cinema de Canoas abre as portas, provoca uma transformação enorme da cidadania e de direitos.”, comentou Mari Martinez, coordenadora do escritório do Ministério da Cultura no Rio Grande do Sul.
Durante a solenidade também aconteceu a primeira homenagem da edição, ao SESC Canoas pelos 10 anos de atuação cultural. “Agradeço imensamente esse reconhecimento, o recebo com muito orgulho em nome da equipe SESC que trabalha arduamente pela cultura de Canoas”, afirmou Cleberli Arruda, gerente do SESC Canoas. Em seguida, aconteceu a exibição do filme “1940 – CICS Canoas: A Origem”, dirigido por Andrei Fialho.
Um dos momentos mais emocionantes da noite foi a homenagem à Tutti Gregianin, que contou com a presença de sua irmã e familiares. Ele foi um dos curadores e diretor artístico do FECIC e faleceu no último dia 15 de setembro.
Atividades da Casa das Artes Villa Mimosa abriram a programação
Logo no primeiro dia, o Festival de Cinema já contou com uma programação extensa de atividades, realizadas no Teatro SESC Canoas, mas também, na Casa das Artes Villa Mimosa (Avenida Guilherme Schell, nº 6270, Centro).
Abrindo a programação, das 9h às 11h, aconteceu a oficina “Direção Cinematográfica e Cineclubismo”, ministrada pelo roteirista e cineclubista Luiz Alberto Cassol.
Com abordagem teórica e prática, a atividade apresentou os fundamentos da direção cinematográfica, explorando formas de realização e principais conceitos da linguagem audiovisual. Além disso, a oficina abriu espaço para refletir sobre a prática cineclubista como instância formativa e de democratização do acesso ao cinema e debateu a importância da acessibilidade nos filmes. “Abrir a terceira edição, ministrando uma oficina sobre direção cinematográfica, é muito emocionante. Desde que o Derlam me convidou para inaugurar a programação, tenho refletido sobre a minha história: há dois anos eu estava aqui no primeiro Festival de Cinema de Canoas, concorrendo com um filme, hoje, abro com uma oficina. É algo realmente marcante”, afirma Luiz Alberto Cassol.
Já a tarde foi marcada pelo primeiro encontro “Cinema e Meio Ambiente”, com exibição especial do documentário em curta-metragem “Prazer, Mato do Júlio”, de Romir Rodrigues e Ulisses Dutra.
Lançada em 2024, a obra mostra a área conhecida como “Mato do Júlio”, em Cachoeirinha, como um espaço no qual se entrelaçam diferentes memórias e o local como sendo parte constituinte do processo de formação da identidade cultural da cidade. “O filme surgiu de uma inquietação pessoal. Sou morador de Cachoeirinha e, ao longo do tempo, passei diversas vezes em frente ao Mato do Júlio, o que despertou em mim uma memória particular, que exploramos no filme. A intenção era compreender melhor aquela área e a descoberta foi surpreendente: ao adentrar no Mato do Júlio encontramos a história do Brasil em sua totalidade”, comenta Romir Rodrigues.
Além disso, o documentário destaca a história dos indígenas Mbya Guarani, residentes do Mato do Júlio. A exibição contou com a presença da comunidade Tekoa Karandaty, também residente do Mato do Júlio e representada no filme. O local marca ainda a retomada dos povos indígenas em Cachoeirinha, que assistiram a obra pela primeira vez. “Assistir ao filme pela primeira vez foi uma experiência comovente, especialmente por poder estar aqui representando a nossa comunidade. O filme representa um retorno significativo para nós que moramos no Mato do Júlio há quatro anos”, conta Karai Mirim, líder da comunidade indígena Karanda’ty, que vive no Mato do Júlio, em Cachoeirinha.
Depois da exibição, aconteceu um bate-papo, mediado pela jornalista e cineasta Daniela Sallet sobre o papel da produção audiovisual no debate e na luta ambiental. A atividade reforça a proposta do FECIC em oferecer oficinas educativas paralelas às mostras competitivas do evento.


